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04/03/2010 - 16h46

Anfavea prevê que venda de carros perca força em abril e maio

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira de veículos se prepara para enfrentar uma montanha-russa nos próximos meses, após um primeiro bimestre recorde de vendas tendo já no horizonte a expectativa de esfriamento do mercado após o fim do desconto do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), no final deste mês.

"Teremos certamente um belo mês de março, mas queda em abril que pode se estender até maio", afirmou o presidente da associação de montadoras Anfavea, Jackson Schneider, nesta quinta-feira.

Ele espera que março seja um dos melhores meses da história do setor em vendas, possivelmente o melhor.

A redução de IPI sobre as vendas de veículos flex e a álcool acaba no final deste mês, promete o governo federal, o que deve gerar um movimento de antecipação de compras pelos consumidores interessados em aproveitar condições melhores antes que o retorno do tributo possa ser repassado aos preços dos automóveis a partir de abril.

Por conta disso, o setor produziu em fevereiro volume semelhante ao de janeiro, o que impulsionou os estoques de veículos em fábricas e concessionárias do país para 256.705 unidades. Esse volume é equivalente a 36 dias de vendas, nível considerado alto pela Anfavea.

Esta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, previu vendas de 310 mil veículos em março após reunião com representantes da Anfavea, mas Schneider evitou fazer comentários sobre essa projeção.

Até agora, o melhor mês de vendas do setor é setembro do ano passado, quando foram comercializadas 308,7 mil unidades antes do desconto do IPI ser prorrogado por uma terceira vez no mês seguinte.

Já as exportações de veículos, que dispararam 18 por cento em fevereiro ante janeiro e 88,3 por cento contra um ano antes em unidades, devem mostrar recuo na comparação mensal nos próximos meses.

Schneider explicou que o salto nas exportações do mês passado ocorreu por efeito estatístico de comparação com um dos períodos mais fracos da história do setor --os meses de janeiro e fevereiro de 2009-- e também por movimento de recomposição de estoques, e não por demanda maior de consumidores internacionais.

"O mercado europeu ainda não voltou e os mercados latino-americanos estão lentamente retornando", afirmou Schneider, citando Argentina, México, Chile e Colômbia. Segundo ele, são necessários mais meses para se traçar um perfil do comportamento das vendas externas.

Apesar disso, a Anfavea mantém previsão de alta de 11,5 por cento nas vendas externas em 2010, para 530 mil veículos. O recorde do setor ocorreu em 2005 --cerca de 900 mil unidades--, quando o câmbio estava em torno de 2,50 reais por dólar, representando fator de competitividade ao setor. Nesta quinta-feira, o dólar era cotado a 1,79 real.

BIMESTRE RECORDE

As vendas de novos veículos em fevereiro no país subiram 3,6 por cento sobre janeiro, para 221 mil unidades, e avançaram 10,8 por cento na comparação com fevereiro do ano passado. Com isso, no primeiro bimestre foi emplacado um volume recorde de 434,3 mil unidades, 9,4 por cento acima dos dois primeiros meses de 2009.

Já a produção subiu 2,8 por cento em relação a janeiro e 23,9 por cento sobre fevereiro do ano passado, para 253,2 mil veículos.

As importações corresponderam a 18,3 por cento das vendas internas em fevereiro. Foram importados 40,5 mil veículos em fevereiro, uma queda em unidades de 5,9 por cento contra janeiro, mas uma expansão de 31,7 por cento ante fevereiro de 2009.

A Fiat vendeu 48,7 mil automóveis e comerciais leves em fevereiro no mercado brasileiro, avanço de 7,7 por cento sobre janeiro.

A Volkswagen, em seguida, comercializou 43,4 mil unidades nos mesmos segmentos no mês passado, aumento de 10,4 por cento contra janeiro.

A GM teve vendas de carros e comerciais leves de 42,3 mil unidades em fevereiro, queda de 4 por cento contra o mês anterior. E a Ford vendeu 23,4 mil unidades no mês passado, crescimento de 4 por cento ante janeiro.

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