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06/03/2010 - 17h18

Indústria de aço da China enfrenta reestruturação difícil

PEQUIM, 6 de março (Reuters) - A gigantesca e pulverizada indústria de aço da China está atravessando um período doloroso de reestruturação e somente as melhores empresas sobreviverão, disse o líder de uma das maiores fábricas do país neste sábado.

Zhu Jimin, presidente do Shougang Group, sediado em Pequim, disse aos repórteres que apesar de não estar "nem otimista nem pessimista" com as perspectivas para o setor em 2010, a demanda deve continuar forte, mas a indústria ainda terá que resolver alguns de seus problemas duradouros.

"A indústria enfrenta muitas, muitas incertezas em casa e no exterior," afirmou em um briefing nos bastidores da última sessão do parlamento chinês, o Congresso Nacional do Povo.

"Por muitas razões históricas, as empresas de aço chinesas estão muito dispersas, e isso afeta os custos de transporte e o ritmo da reestruturação do setor," acrescentou ele.

A demanda crescente ajudou a manter as pequenas fábricas em operação no ano passado, quando o pacote de estímulo de quatro trilhões de yuans (cerca de 586 bilhões de dólares) do governo impulsionou a construção civil, mas Zhu disse que o problema perene da superprodução terá que ser abordado.

Um plano abrangente para "retificar" o setor já foi apresentado ao Conselho de Estado para aprovação, disse ele, e nos próximos anos programas para aprimorar o uso de energia e eliminar unidades antiquadas e poluidoras aos poucos devem eliminar as piores fábricas e forçar as grandes a adotar a produção de derivados de aço mais sofisticados.

O setor lida com custos crescentes este ano, com os preços de matérias-primas essenciais aumentando como resultado da maior demanda, e as fábricas não têm conseguido repassar essa carga aos consumidores.

As empresas de aço da China também enfrentam contratos de preço de minério de ferro mais altos, e alguns analistas dizem que a australiana Rio Tinto, a BHP Billiton e a brasileira Vale podem exigir um aumento de até 80 por cento durante as conversas deste ano sobre o padrão do minério de ferro.

Zhu se recusou a comentar as negociações sobre preços, dizendo que estão sendo conduzidas pela Baosteel de Xangai e que sua própria empresa não está envolvida.

(Reportagem de David Stanway)

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