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17/03/2010 - 10h05

China se recusa a mudar câmbio em meio à pressão dos EUA

PEQUIM (Reuters) - A China disse nesta quarta-feira que "não poderia ser mais clara" no seu reiterado compromisso de estabilizar a taxa de câmbio, após o Congresso norte-americano ter ameaçado cobrar impostos sobre algumas exportações chinesas se o país não revalorizasse sua moeda.

A temperatura na longa disputa sobre o regime cambial da China está subindo rapidamente, com uma lei bipartidária apresentada na terça-feira no Senado dos Estados Unidos para pressionar Pequim a permitir a apreciação do iuan.

Concentrar-se no iuan não vai ajudar a resolver problemas no comércio bilateral entre a China e os EUA, disse uma autoridade do ministério do Comércio chinês à Reuters.

"Nós nos opomos à ênfase exagerada na taxa de câmbio do iuan", disse a autoridade quando perguntada sobre a lei norte-americana. "A taxa de câmbio do iuan não é uma poção mágica para resolver os desequilíbrios econômicos globais."

O aparente endurecimento das posições levou o iuan ao menor nível em três semanas ante o dólar no mercados de derivativos internacionais, implicando uma apreciação de apenas 2,4 por cento nos próximos 12 meses.

Ding Zhijie, professor da Universidade de Comércio Internacional e Economia em Pequim, disse que o debate com os EUA sobre a taxa de câmbio é "totalmente contraprodutivo".

"Com uma pressão tão pesada dos Estados Unidos, qualquer ação pode parecer uma submissão à pressão estrangeira -- para o governo chinês e o povo chinês, seria inaceitável", disse Ding, que dá conselhos ao governo.

O Banco Mundial também entrou na discussão, recomendando uma taxa de câmbio mais forte e uma política monetária mais apertada para restringir as expectativas de inflação e bolhas de ativos.

A posição de Pequim tem sido consistente e continua a mesma, disse a autoridade chinesa. Ele citou o premiê Wen Jiabao e o ministro do Comércio Chen Deming, que disseram que um iuan estável tem contribuído para a recuperação da China e da economia global.

"Nós nos repetimos muitas vezes. E nós não poderíamos ser mais claros", disse a autoridade.

A China fixou o iuan perto de 6,83 dólares desde a metade de 2008 para absorver o impacto da crise global sobre os seus exportadores.

(Reportagem de Aileen Wang e Simon Rabinovitch)

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