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18/03/2010 - 16h37

Dados nos EUA apontam retomada modesta, inflação calma

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A economia dos Estados Unidos está em ritmo moderado de crescimento e as pressões inflacionárias estão contidas, mostraram dados nesta quinta-feira, amparando a promessa do Federal Reserve de manter o juro básico em níveis excepcionalmente baixos por algum tempo.

Os novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram na semana passada, e a atividade manufatureira na região do Meio-Atlântico acelerou em março.

Segundo o Departamento de Trabalho, as requisições de seguro-desemprego recuaram em 5 mil, para 457 mil na semana encerrada em 13 de março. Analistas esperavam que os pedidos cedessem a 455 mil.

Em documento separado, o Federal Reserve da Filadélfia informou que seu índice de atividade empresarial subiu para 18,9 em março, ante 17,6 em fevereiro. O número veio acima das expectativas do mercado, de 18,0. Uma leitura acima de zero indica expansão no setor manufatureiro.

Um segundo relatório do Departamento de Trabalho mostrou que o índice de preços ao consumidor ficou estável em fevereiro, após alta de 0,2 por cento em janeiro. Excluindo os preços dos segmentos de energia e alimentação, marcados pela volatilidade, o núcleo teve leve aumento de 0,1 por cento, depois de cair 0,1 por cento.

"Mesmo que haja crescimento na economia, ainda há capacidade não utilizada, o que está exercendo pressão de baixa sobre a inflação", afirmou Zach Pandl, economista da Nomura Securities International, em Nova York.

Analistas esperam que a economia mostre crescimento no emprego em março, proporcionado por contratações temporárias para o censo 2010. Cerca de 8,4 milhões de postos de trabalho foram perdidos desde o início da recessão, em dezembro de 2007.

ESTABILIZAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO

Embora os pedidos semanais de seguro-desemprego tenham dificuldades para mostrar grandes quedas após terem recuado rapidamente no segundo semestre de 2009, outros indicadores de emprego sugerem que o mercado de trabalho está se estabilizando e dão suporte a visões de um crescimento nesse setor no curto prazo.

O índice de emprego do Fed da Filadélfia subiu em março para o maior nível desde agosto de 2007. Analistas afirmaram que os pedidos semanais de auxílio-desemprego provavelmente se mantiveram elevados devido aos cortes de vagas nas pequenas empresas.

"Nós assumimos que a maior parte das novas demissões está vindo das pequenas empresas, que permanecem muito debilitadas tanto em termos absolutos quanto relativos em relação às grandes companhias", afirmou Ian Shepherdson, economista-chefe da High Frequency Economics, em Valhalla, Nova York.

Com o mercado de trabalho ainda fraco, as pressões inflacionárias provavelmente permanecerão benignas. Uma vez que a queda nos custos de energia segurou os preços ao consumidor no mês passado, a inflação tende a cair numa base anualizada.

No ano passado, o núcleo da inflação subiu somente 1,3 por cento. Isso representa uma desaceleração ante a leitura de 1,6 por cento de janeiro e é o menor valor desde fevereiro de 2004.

Ainda que a retomada econômica que começou no segundo semestre de 2009 permaneça em curso, há sinais de que o bom momento está perdendo força.

O índice de indicadores antecedentes do Conference Board, que mede as projeções para a economia norte-americana, teve leve alta de 0,1 por cento em fevereiro, ante um aumento de 0,3 por cento em janeiro.

"Os indicadores apontam uma desaceleração na recuperação no verão (no Hemisfério Norte). Mais à frente, a grande questão continua sendo a força da demanda. Sem uma demanda maior por parte do consumidor, o crescimento nos empregos provavelmente será mínimo nos próximos cinco meses", disse Ken Goldstein, economista do Conference Board.

(Reportagem adicional de Burton Frierson e Nick Olivari em Nova York)

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