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18/03/2010 - 18h45

OMC precisa de milagre político para fechar Doha em 2010

Por Jonathan Lynn

GENEBRA (Reuters) - Membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) devem concluir na próxima semana que será preciso um milagre político para fechar um novo acordo comercial neste ano, mandando outro prazo da Rodada de Doha direto para a lata de lixo.

Os chefes de Comércio dos Estados Unidos e da União Europeia já admitiram que pode não ser possível completar a Rodada de Doha em 2010, como exigido por líderes na última cúpula do G20 e em outras reuniões.

Assim, a reavaliação da próxima semana, exigida por ministros em uma conferência em dezembro, teve sua importância minimizada.

A possibilidade de ministros participarem foi descartada, deixando o anúncio para autoridades sêniores.

"Eu tenho expectativas muito baixas", disse o embaixador na OMC de uma economia emergente. "Está claro que 2010 não está no jogo."

Muitos negociadores dizem que as negociações, lançadas no final de 2001 para abrir o comércio global e ajudar os países pobres a prosperarem através de mais comércio, estão relutantes apesar de algum avanço em questões técnicas.

O negociador-chefa da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que presidiu as negociações sobre agricultura até o ano passado, disse em uma conferência em Canberra neste mês que 2010 continua sendo a meta.

"Mas não vamos nos enganar. A realidade é que, da maneira como estamos indo em Genebra, não vamos conseguir", disse ele.

SITUAÇÃO POLÍTICA

O acordo, que o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, diz ser necessário para impulsionar a economia mundial e garantir uma proteção contra o protecionismo, está travado em uma situação política desde que os ministros falharam em conseguir um avanço em julho de 2008.

A maior parte dos outros membros diz que os EUA não estão realmente comprometidos com as negociações, algo simbolizado pelo fato de o presidente Barack Obama não ter conseguido convencer o Congresso a aprovar um embaixador do país à OMC em Genebra.

Com o representante de Comércio Ron Kirk, os Estados Unidos dizem que estão tentando avançar nas negociações, mas que China, Índia, Brasil e outras economias emergentes não estão dispostas a oferecer o suficiente para vender um acordo aos votantes.

Em Washington há pouco interesse em um acordo considerado como garantia de ônus aos EUA, com pouco em troca. A não ser que os empresários norte-americanos batam na porta dos congressistas exigindo seu apoio, é improvável que aconteça.

Não alcançar um novo acordo comercial nos próximos meses levanta a pergunta sobre se ele de fato importa.

O comércio mundial está se recuperando com força depois de se contrair 12 por cento em 2009, a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial, conforme a demanda caiu como resultado da crise financeira.

O Deutsche Bank diz que o crescimento do comércio neste ano pode ficar na casa dos dois dígitos, em meio a notícias de uma enorme recuperação no início do ano.

A OMC diz que uma temida onde de protecionismo como aconteceu na década de 1930 não se materializou após a crise, e o sistem de comércio global provou seu vigor.

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