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19/03/2010 - 18h18

Grécia mantém luz amarela, e dólar sobe a quase R$1,80

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pelo segundo dia seguido nesta sexta-feira, flertando com o patamar de 1,80 real em meio à preocupação no mercado externo com a dívida pública da Grécia.

A moeda norte-americana subiu 0,62 por cento, para 1,799 real. Na máxima do dia, o dólar chegou a valer 1,803 real, maior cotação desde 1o de março.

Na semana, o dólar teve alta de 2,04 por cento. No mês, no entanto, a moeda ainda acumula queda de 0,44 por cento.

O mercado de câmbio passou o dia atento a notícias sobre a Grécia, que ameaçou buscar apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) caso a Europa não faça uma promessa firme de apoio financeiro.

Mais tarde, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, instou os países da zona do euro a fecharem logo um acordo que possa ser posto em prática em caso de necessidade. Ele defendeu que o mecanismo de auxílio envolva empréstimos bilaterais coordenados entre os países.

O euro caía à mínima em mais de duas semanas ante o dólar, e a moeda norte-americana subia 0,63 por cento em relação às principais divisas.

"Por enquanto, a gente está vendo o dólar em uma leve tendência de alta", afirmou Arnaldo Puccinelli, gerente de mercados financeiros da Terra Futuros.

Analistas estrangeiros também preveem uma semana de valorização do dólar diante das principais moedas, tanto pela questão da Grécia quanto pela concentração de indicadores nos Estados Unidos, que podem mostrar uma retomada econômica mais firme no país do que em outras economias avançadas.

Entre os dados a serem divulgados nos Estados Unidos estão números sobre vendas de moradias usadas (terça-feira), encomendas de bens duráveis (quarta-feira) e a leitura final do Produto Interno Bruto (sexta-feira).

FRUSTRAÇÃO

Puccinelli citou o comportamento dos estrangeiros no mercado futuro como um sinal de que existe menos disposição a favor da queda do dólar.

De acordo com dados da BM&FBovespa, os investidores não-residentes eliminaram a posição vendida de 749 milhões de dólares em cupom cambial e dólar futuro de quarta-feira para montar uma posição comprada em 1,46 bilhão de dólares na quinta-feira --maior salto nesse sentido desde outubro.

Fatores internos ajudaram a pressionar o dólar ao longo da semana. Primeiro, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o juro básico em 8,75 por cento ao ano.

Segundo, a frustração com algumas ofertas de ações, principalmente da OSX e da Renova Energia, que prometiam engrossar a entrada de divisas no país.

A OSX levantou 2,82 bilhões de reais em sua oferta inicial de ações, menos de 30 por cento do valor máximo previsto inicialmente, de 9,9 bilhões de reais. Já a Renova Energia suspendeu por 60 dias o pedido de abertura de capital.

A expectativa de que aumentaria a entrada de divisas no país vinha incentivando bancos a vender moeda estrangeira ao Banco Central para recomprá-la mais adiante a um preço menor, o que para alguns analistas favorecia a queda da moeda.

Alguns profissionais de mercado, porém, pregam cautela, e dizem que a alta do dólar ainda é pontual. "Outras ofertas estão previstas, enquanto as captações externas continuam encontrando boa demanda, como os eurobônus da Vale", escreveu a corretora Planner em relatório.

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