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24/03/2010 - 19h48

Análise: capitalização no 1º semestre dá gás à ação da Petrobras

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A declaração feita nesta quarta-feira pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, de que a empresa tem que ser capitalizada este ano com ou sem decisão do Congresso surpreendeu o mercado e ajudou as ações da companhia.

Abatidas desde o anúncio da operação há cerca de um ano, as ações subiram 0,75 por cento nesta quarta-feira enquanto o Ibovespa recuou 0,68 por cento. Anteriormente, entretanto, a capitalização era apenas vinculada à cessão onerosa de até 5 bilhões de barris de petróleo em áreas não licitadas no pré-sal da bacia de Santos.

"Surpreendeu...tirou um pouco a nuvem do mercado. A ação está subindo hoje em função disso", avaliou o analista da XP Investimentos William Castro Alves.

O papel vinha perdendo de longe para o Ibovespa em plena ascensão do preço do petróleo. Segundo cálculos do analista do BB Investimento Nelson Matos, em 12 meses terminados na terça-feira a ação subia 28 por cento contra a valorização de 71 por cento do Ibovespa e de 57 por cento do preço do petróleo.

"O mercado vê que como é fundamental para a empresa continuar crescendo e pode ser independente do Congresso, não precisa esperar cessão onerosa, é positivo", disse o analista.

"Fiquei surpreso e ainda mais porque o governo nunca se declarou disposto a emitir dívida, como vai acompanhar?", indagou Matos.

O governo possui 32 por cento do capital da Petrobras e em um eventual aumento de capital teria que participar com o montante proporcional à sua participação. A União só não teria ônus se a Petrobras se capitalizar por meio de emissão de bônus, mas iria aumentar o endividamento da companhia.

Segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira, ainda está sendo avaliada a forma como será feita a capitalização se o Congresso não aprovar o projeto via cessão onerosa, mas a previsão é de que ocorra até junho de qualquer maneira.

"Estamos trabalhando com capitalização sim em 2010", enfatizou Gabrielli a analistas em teleconferência nesta quarta-feira após inúmeras perguntas sobre a operação.

Mas analistas observam que o primeiro semestre deste ano pode não ser o melhor dos mundos para capitalizações de grande porte, visto que nenhuma grande oferta foi realizada e o mercado ainda vive a ressaca da crise financeira que abalou o mundo entre 2008 e 2009.

A Petrobras seria o primeiro grande teste da recuperação.

"No primeiro semestre o apetite ainda não estará muito forte, tanto que ninguém considera fazer cem por cento da subscrição (na capitalização da Petrobras)", avaliou Lucas Brendler, da Geração Futuro.

Segundo o próprio Gabrielli, os valores de 15 a 25 bilhões de dólares estipulados pela companhia para a capitalização entre os minoritários --com ou sem cessão onerosa-- não considera 100 por cento de adesão. Ele não revelou no entanto o percentual utilizado.

Para o analista da Ágora Luiz Otávio Broad, a capitalização é necessária e se não obtiver sucesso a empresa terá que cortar projetos, que na opinião dele poderiam ser as megarefinarias programadas para os próximos anos.

"As quatro refinarias seriam as primeiras a ser cortadas, pode vender petróleo bruto por um período limitado, e depois vender os derivados", sugeriu, referindo-se às duas refinarias Premium da Petrobras no Maranhão (Premium I) e Ceará (Premium II) e aos projetos de Pernambuco (Abreu Lima) e Rio de Janeiro (Comperj).

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