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24/03/2010 - 16h22

Com Brain, entidades veem Brasil como polo financeiro regional

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Entidades do mercado financeiro oficializaram nesta quarta-feira o lançamento da Brain, projeto que terá como missão fomentar iniciativas para tornar o Brasil num polo regional de investimentos e negócios.

Encabeçado por BM&FBovespa, Febraban e Anbima, a organização institucionaliza o "Projeto Ômega", criado há cerca de dois anos para, entre outros objetivos, tornar São Paulo numa praça financeira de porte semelhante a de centros como Hong Kong e Cingapura.

De saída, a Brain, sigla para Brasil Investimentos & Negócios, tem cerca de 80 projetos que serão discutidos entre entidades setoriais, empresas e órgãos do governo. Entre outros objetivos, propõe a redução de burocracia para trânsito internacional de capitais e enquadramento mais flexível às aplicações dos fundos de pensão.

Com isso, os criadores do projeto querem encurtar o caminho dos recursos de investidores para ativos do Brasil e da América Latina, que frequentemente passam por outras praças globais, como Londres e Nova York, encarecendo os custos e riscos das transações.

"A ideia é ser a plataforma de negócios da América Latina", disse o presidente da Anbima, Marcelo Giufrida, a jornalistas.

Essa canalização de recursos para uma praça regional permitiria, por exemplo, viabilizar um sonho antigo da BM&FBovespa, o de se tornar a referência mundial para formação de preços nos segmentos de commodities.

"Somos um dos maiores exportadores de commodities do mundo, mas os preços hoje são definidos em Chicago", disse o presidente da bolsa paulista, Edemir Pinto.

Para evitar que o projeto se limite a um acordo de intenções, seus criadores estabeleceram algumas diretrizes iniciais. Uma delas é o comprometimento financeiro dos candidatos a sócios.

"Quem quiser participar deve contribuir com 1 milhão de reais anual por pelo menos 3 anos", disse o diretor-geral da Brain, Paulo Oliveira Junior, que antes de assumir o posto ocupava a diretoria de Novos Negócios da BM&FBovespa. Segundo ele, todos os grandes bancos comerciais do país já abraçaram o projeto.

Entidades de outros setores da economia, como Fiesp e Firjan, da indústria, Fecomércio e ACSP, do comércio, também mostraram simpatia pela iniciativa. O orçamento da Brain para 2010 já conta com 12 milhões de reais de sócios.

Outra diretriz nevrálgica da Brain é a de discutir os projetos com o governo desde o início. O raciocínio é que, tendo a participação estatal, as propostas ganham musculatura para serem implementadas com mais celeridade, inclusive as que dependerem de aprovação legislativa.

"Sem o governo não dá prazer quase nada", disse Giufrida, da Anbima, à Reuters. Segundo ele, já há um envolvimento de alguns órgãos, como BNDES, CVM, Susep, Previc e Banco Central.

O lançamento da entidade será comemorado na quinta-feira em solenidade com a presença do presidente do BC, Henrique Meirelles, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

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