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24/03/2010 - 17h52

Lula diz que conversará sobre política com Meirelles

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que poderá conversar na semana que vem com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre o seu destino político.

"A situação do Meirelles é uma situação que depende só dele. Eu talvez converse com ele na semana que vem. Não sei se ele quer ser candidato, se ele não quer ser candidato", afirmou Lula em entrevista coletiva concedida após almoço com o rei da Suécia, Carl Gustaf, no Itamaraty.

Há meses o mercado aguarda a decisão de Meirelles sobre seu futuro político. Ele precisa deixar o BC até 3 de abril se quiser concorrer a algum cargo nas eleições de 2010. Seu nome tem sido cotado, principalmente, para disputar uma cadeira no Senado por Goiás ou tentar ser o vice da chapa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), na disputa presidencial.

Em relação à escolha de um vice para a chapa de Dilma, o presidente disse que essa não será uma decisão dele, mas da ministra e dos partidos aliados.

"Eu já escolhi a candidata à Presidência. Escolher o vice também será demais", disse Lula.

Um ministro de Estado disse à Reuters que Meirelles estaria de malas prontas para deixar o BC. Outra fonte da Reuters, que conversou nesta quarta-feira com um ministro da área econômica, foi na mesma linha. Este último afirma que o presidente do Banco Central deixaria a instituição, mas só decidiria seu futuro político mais tarde.

Lula também comentou o pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de arquivar inquérito contra o presidente do Banco Central. Segundo o procurador, os fatos do processo são os mesmos de um inquérito arquivado em 2007 sobre suposta remessa de dinheiro ao exterior.

"Nem o procurador-geral sabia do inquérito. De vez em quando no Brasil acontece alguma coisa assim do arco da velha", ironizou o presidente.

CAÇAS

Lula afirmou ainda que não se decidiu sobre qual modelo de avião militar o Brasil comprará para renovar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Concorrem o Rafale, fabricado pela Dassault Aviation, o F/A-18E/F Super Hornet da Boeing e o Gripen da sueca Saab.

O governo brasileiro chegou a sinalizar que escolheria o caça francês, mas ainda não anunciou oficialmente o fim da concorrência. Segundo Lula, atualmente o Ministério da Defesa analisa um relatório apresentado pela Aeronáutica.

O tema será então discutido pelo Conselho de Defesa Nacional, e depois caberá ao presidente a palavra final.

Lula minimizou as conversas sobre esse assunto que tivera com o rei da Suécia durante o almoço. Ele disse que deve ter diálogos semelhantes com os líderes de Estados Unidos, Rússia e França nos próximos dias, quando os encontrará em viagens internacionais.

"É importante. Cada um vai falando e a gente vai aprendendo, vai vendo e quem sabe os preços vão caindo e as coisas vão melhorando", afirmou.

O presidente lembrou que o Brasil exige a transferência de tecnologia para fabricar e, "num futuro próximo", exportar esse tipo de aeronaves.

"Vamos tomar a decisão sem nenhum nervosismo, sem nenhum trauma. Vou tomar a decisão no momento adequado."

Em discurso antes do almoço, o rei Carl Gustaf mostrou-se interessado na possibilidade de os dois países iniciarem uma cooperação no setor aeronáutico.

(Reportagem de Fernando Exman; reportagem adicional de Natuza Nery)

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