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24/03/2010 - 19h14

Rating português pressiona risco Europa e índice Bovespa cai

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O corte do rating de Portugal pela Fitch avivou as preocupações com a situação fiscal de países da zona do euro, levando os investidores de volta à ponta vendedora de ações na Bovespa, após duas sessões no azul.

Refletindo a queda das commodities que pesou principalmente sobre ações domésticas ligadas a metais, o Ibovespa caiu 0,68 por cento, aos 68.913 pontos.

O movimento financeiro da sessão totalizou 5,75 bilhões de reais.

A Fitch reduziu o rating de Portugal de "AA" para "AA-", com perspectiva negativa, citando o fraco desempenho orçamentário do país em 2009 . O movimento ampliou o pessimismo com a situação fiscal da zona euro, enquanto a Grécia ainda busca ajuda para escapar de um calote.

"Isso desmanchou o otimismo que estava sendo desenhado com a recuperação dos preços das commodities", disse André Querne, sócio da Rio Gestão de Recursos, no Rio de Janeiro.

Num efeito dominó, os investidores fugiram do euro, que se desvalorizou frente ao dólar, derrubando também as cotações de matérias-primas. O índice Reuters-Jefferies CRB, referência do mercado de commodities, fechou em queda de quase 1 por cento, após tocar a mínima de cinco semanas e meia.

Ações de companhias domésticas ligadas ao setor, como as de metais, devolveram boa parte dos ganhos das últimas sessões. MMX puxou a fila, caindo 3,25 por cento, para 13,40 reais.

OUTROS DESTAQUES

Movimentos pontuais adicionaram pressão ao Ibovespa, como o do setor financeiro, sob a batuta de Itaú Unibanco, com baixa de 2,1 por cento, a 36,50 reais.

Individualmente, Net Serviços foi a pior do índice, recuando 4,3 por cento, a 22,51 reais, após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter anunciado uma forte desaceleração no crescimento de casas com TV por assinatura em fevereiro em relação ao mês anterior.

Em relatório, o Morgan Stanley considerou que o dado pode ser um ponto fora da curva e manteve recomendação "overweight" (acima da média do mercado) para as ações da companhia.

Essa pressão no índice foi parcialmente compensada pelo bom desempenho da Petrobras, cuja ação preferencial subiu 0,75 por cento, a 36,09 reais, após seu presidente, José Sérgio Gabrielli, afirmar que será feita uma grande operação de aumento de capital neste ano mesmo que o projeto de lei da capitalização, que tramita no Congresso, não seja aprovado.

Ao mesmo tempo, Redecard cresceu 2,8 por cento, para 31,25 reais, após a Visa sinalizar que só vai admitir como novos credenciadores da bandeira empresas ligadas a instituições financeiras. Em relatório, a Link Corretora considerou que a medida é positiva para Redecard e Cielo, pois limita a concorrência contra as gigantes.

Fora do índice, Telebrás levou um tombo de 13,6 por cento, a 1,46 real, depois de jornais revelarem o conteúdo de uma nota técnica do Tesouro Nacional defendendo a extinção da empresa e a criação de uma nova empresa pública para exercer as funções da estatal de telecomunicações.

(Edição de Daniela Machado e Bruno Marfinati)

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