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25/03/2010 - 18h51

Ibovespa perde ímpeto e cai 0,68% por EUA e Petrobras

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa perdeu força na segunda metade da sessão, influenciado pelo cenário externo e pela queda de 2 por cento das ações da Petrobras, e fechou em baixa nesta quinta-feira.

O principal índice das ações brasileiras terminou em queda de 0,68 por cento, aos 68.441 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 5,47 bilhões de reais.

A curva do Ibovespa acompanhou a dos principais índices de Nova York, que a partir da metade do dia abandonaram as máximas, de quase 1 por cento, para fechar perto do zero.

Um dos principais motivos para a perda de ímpeto nos mercados internacionais foi a preocupação com os problemas fiscais na Europa. A zona do euro chegou a um acordo para apoiar a Grécia, mas a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no pacote foi criticada pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Internamente, uma das ações que mais pesou para a queda do Ibovespa foi Petrobras, em um movimento de realização de lucros, segundo o operador de um banco local, que preferiu não ser citado. Na véspera, a estatal subiu após seu presidente reafirmar que conta com o plano de capitalização para 2010.

As preferenciais da Petrobras caíram 2,47 por cento, para 35,20 reais. As ações ordinárias cederam 2,11 por cento, a 39,45 reais.

Outra notícia envolvendo a empresa foi a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de recusar o acordo proposto pelo diretor financeiro e de relações com o mercado da estatal, Almir Barbassa, para o pagamento de uma multa de 300 mil reais por não ter emitido fato relevante após a descoberta de óleo leve no campo de Tupi, na bacia de Santos.

A maior queda do índice, porém, coube às ações preferenciais da Brasil Telecom após o anúncio da nova relação de troca entre a empresa e a Oi. Os papéis despencaram 5,46 por cento, para 11,61 reais.

Analistas criticaram a mudança, que precisa ser aprovada em assembleia de acionistas da Brasil Telecom. Em nota, o analista do Citigroup James Rivett disse que o tratamento desigual de acionistas pode alimentar mais tensões enquanto a Oi tenta completar a fusão das empresas.

Vale, que tem se beneficiado das projeções otimistas para o preço do minério de ferro, viu sua ação preferencial devolver parte dos ganhos e terminou em baixa de 0,68 por cento, a 48,17 reais.

A Cesp, que anunciou lucro líquido de 762,7 milhões de reais em 2009, teve queda de 3,83 por cento, a 22,11 reais.

No lado positivo, a MRV Engenharia teve uma das maiores altas do Ibovespa --de 1,82 por cento, a 13,40 reais. A empresa divulgou na véspera um aumento de 151,7 por cento das vendas contratadas no quarto trimestre, com lucro líquido recorde de 121,9 milhões de reais.

A maior alta do índice, porém, coube à Eletropaulo, com variação de 2,89 por cento, a 39,20 reais.

Ações de bancos tiveram a maior influência positiva de um setor sobre o Ibovespa, com destaque para Bradesco, com ganho de 1,43 por cento, a 31,21 reais. No começo da manhã, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, afirmou que já existe necessidade de aperto monetário, o que foi interpretado pelo mercado com um sinal de alta iminente do juro.

(Reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal; Edição de Aluísio Alves)

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