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01/04/2010 - 13h41

China deve cancelar compras de óleo de soja argentino

PEQUIM (Reuters) - Compradores chineses deverão cancelar quase todos os carregamentos de óleo de soja comprados da Argentina, totalizando cerca de 200 mil toneladas por mês.

O contratos, previstos para serem cumpridos entre maio e julho, deverão ser cancelados em um movimento de retaliação da China contra medidas antidumping da Argentina a produtos chineses, segundo traders e analistas.

Os importadores da China firmaram compras de 200 mil a 250 mil toneladas de óleo de soja por mês, sendo a maior parte da Argentina, o maior exportador global de derivados de soja.

"Nós pensamos que a maior parte dos compradores vai cancelar, mas algumas companhias estatais estão avaliando a situação com o governo, uma vez que a notícia chegou em cima da hora", afirmou o executivo de uma trading que pediu para não ser identificado.

Algumas importações de óleo poderiam ser substituídas por reservas estatais da China, ele afirmou.

Companhias chinesas foram chamadas para uma reunião de emergência com o governo da China, e houve um pedido para as empresas não importarem óleo de soja da Argentina, que lançou tarifas antidumping e investigação contra produtos chineses, incluindo sapatos e dutos de aço.

Autoridades afirmaram que a partir de 1o de abril a China implementará um "rigoroso" padrão de inspeção para os carregamentos de óleo de soja da Argentina, que atualmente não cumpririam tal padrão.

"Não temos clareza sobre o tempo que isso vai durar. Se durar por pelo menos cinco ou seis meses, vai impulsionar as importações de óleo de palma", afirmou a fonte.

Importações de óleo de soja de outros exportadores, como o Brasil, não serão interrompidas, disseram traders.

A Argentina exportou 1,84 milhão de toneladas de óleo de soja para a China em 2009, carregamentos avaliados em 1,4 bilhão de dólares. O volume respondeu por 77 por cento das importações totais da China, de 2,39 milhões de toneladas.

O volume restante veio do Brasil.

(Reportagem de Niu Shuping e Tom Miles)

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