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01/04/2010 - 16h38

IBGE terá pesquisa de emprego e IPCA de alcance nacional em 2013

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) planeja ampliar as áreas de alcance das pesquisas de emprego e preços a partir de 2013 para levantamentos nacionais.

"Teremos uma abrangência muito maior e, portanto, uma cobertura mais refinada de um país muito heterogêneo" disse à Reuters o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

"Hoje, o nosso mercado de trabalho abrange cerca de 25 milhões de pessoas ocupadas, em um universo de 100 milhões. Queremos ver o que acontece com esses outras 75 milhões de pessoas."

Atualmente, a pesquisa mensal de emprego (PME) contempla as seis maiores regiões metropolitanas do país --São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é calculado com base em levantamento em 11 regiões metropolitanas --São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Curitiba, Brasília, Belém, Goiânia e Fortaleza

No caso da PME, a nova metodologia usará a base da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), que também ficará mais robusta a partir do ano que vem, quando passará a cobrir 3,5 mil municípios do país frente aos atuais 1,3 mil.

"A PME está sendo integrada à nova PNAD. Estamos construindo uma nova PNAD que dará condições de construir mais suplementos. O trabalho experimental será no ano que vem", disse Nunes.

Os primeiros pilotos da PME ampliada já foram feitos e outros irão a campo em breve.

Segundo o presidente do IBGE, a ideia inicial é divulgar simultaneamente a PME com a metodologia nova e a anterior por algum tempo. Ele lembrou que na mudança feita em 2002 houve muita dificuldade em encadear a pesquisa nova com a antiga.

"Para evitar problemas, vamos fazer as duas divulgações por pelo menos dois anos", explicou.

No caso do IPCA, a proposta do IBGE é introduzir progressivamente novas regiões no cálculo do indicador.

O instituto planejava adotar as mudanças ainda este ano, mas, diante da escassez de funcionários e da priorização do censo demográfico, o projeto de uma cobertura nacional sobre os preços foi prorrogado para 2013.

"É um projeto atrasado. Não é apenas uma questão orçamentária. Se deve a outras prioridades, como a necessidade de funcionários e a nova POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), que será divulgada este ano", explicou.

Ele citou que este mês entrarão 350 funcionários concursados no IBGE.

Na visão de Nunes, os dados não devem sofrer mudanças bruscas a partir da ampliação dos levantamentos, com as novas informações servindo para avaliações mais aprofundadas de cada uma das regiões analisadas.

"Os números da PME são aderentes ao da PNAD, atualmente. Mas queremos ver as flutuações em cada região. Será que a flutuação no Rio, São Paulo ou Belo Horizonte é igual ao que acontece em Mato Grosso e outros Estados com estrutura econômica e produtiva diferente?"

O presidente do IBGE comentou que o recrutamento de pessoas para o censo deste ano já mostra a heterogeneidade do mercado de trabalho brasileiro, uma vez que a relação candidato/vaga no Maranhão é de 5 por 1, enquanto em cidades do Sul e do Sudeste o número de inscritos é inferior às vagas disponíveis.

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