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01/04/2010 - 10h19

Produção industrial cresce pelo 2o mês seguido

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO (Reuters) - A produção da indústria brasileira cresceu 1,5 por cento fevereiro ante janeiro, descontadas as influências sazonais, impulsionada pelo mercado interno, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Foi o segundo mês consecutivo de alta, após registrar contração em dezembro e novembro nessa base de comparação.

Com esse resultado, o IBGE nota que o nível da atividade situa-se apenas 3,2 por cento abaixo do recorde observado em dezembro de 2008, após essa distância ter alcançado 20,6 por cento no auge da crise, em dezembro de 2008.

"O setor industrial, além de superar no primeiro bimestre as perdas observadas em novembro e dezembro do ano passado, está cada vez mais perto do recorde de produção. Hoje estamos em um nível equivalente a maio de 2008" disse André Macedo, economista do IBGE.

"Os efeitos da crise estão sendo superados", afirmou a jornalistas.

A mediana das previsões de 18 instituições financeiras apontavam crescimento de 0,9 por cento em fevereiro ante janeiro, com as estimativas oscilando de 0,2 a 2,0 por cento.

Em relação a fevereiro de 2009, a atividade expandiu-se 18,4 por cento, a maior taxa nessa base para os meses de fevereiro da série histórica da pesquisa, iniciada em 1991.

No ano, a produção industrial acumula expansão de 17,2 por cento frente ao mesmo período do ano passado, com o acumulado em 12 meses ainda registrando contração, de 2,6 por cento.

O IBGE revisou os dados de janeiro, com o crescimento ante fevereiro passando a 1,2 por cento, ante 1,1 por cento divulgado anteriormente; e com a expansão ante janeiro de 2009 passando de 16,0 para 16,1 por cento.

PERSPECTIVA POSITIVA

"A indústria reage de forma vigorosa à retomada econômica, respondendo de forma rápida ao crescimento da demanda", destacou Inês Filipa, economista-chefe da corretora Icap, no Rio de Janeiro. "O bimestre começa forte."

Na visão de Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, os dados endossam a tendência benigna para o setor no ano. "A média móvel trimestral ampliou o ritmo de expansão... confirmando o momento positivo do setor."

De acordo com o IBGE, a média móvel trimestral cresceu 0,8 por cento, após ter ficado praticamente estável em janeiro, com alta de 0,1 por cento.

Macedo afirmou que a perspectiva para a indústria nos próximos meses é muito favorável, com a expansão da economia, de investimento e de vendas.

"Os indicadores antecedentes são positivos em função do ritmo da atividade e da base mais fraca. As próprias exportações, em especial de intermediários, apontam para um cenário positivo", avaliou.

No mercado de DI, mais sensível a dados de atividade, as taxas futuras de juros reagiram com relativa estabilidade, uma vez que, segundo profissionais da área, um desempenho forte da indústria fora antecipado no final da sessão da véspera.

O contrato de DI para janeiro de 2011, mais líquido, projetava 10,39 por cento no meio da manhã, após marcar 10,40 por cento no ajuste da quarta-feira.

DEMANDA INTERNA

O resultado de fevereiro ante janeiro foi guiado pela expansão de 2,4 por cento na produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis --o maior crescimento entre as categorias de uso e a terceira alta seguida.

Macedo lembrou que o segmento de bens não duráveis é muito vinculado à demanda interna e destacou que ele já se encontra no nível recorde de produção, 1,6 por cento acima do patamar observado em setembro de 2008.

"Isso acompanha os avanços obtidos em massa salarial, renda e emprego.".

Houve avanço de 1,7 por cento na categoria de bens de capital, enquanto o setor de bens de consumo duráveis verificou expansão de 0,7 por cento. A exceção foi bens intermediários, que contraiu 0,5 por cento, interrompendo 13 meses de alta.

Ainda assim, o economista do IBGE citou que os bens intermediários, setor mais pesado da indústria nacional, estão 1,3 por cento abaixo do pico industrial.

Dos 27 ramos pesquisados, 15 cresceram frente a janeiro, com destaque para a indústria farmacêutica (15,9 por cento), edição e impressão (7 por cento) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (15 por cento).

De acordo com o IBGE, o índice de difusão, que mede quantos dos 755 subsetores da indústria estão ampliando a produção, bateu o recorde da pesquisa ao alcançar 72 por cento. "Isso tudo mostra que temos um perfil de crescimento espalhado e generalizado", afirmou Macedo.

(Reportagem adicional de Paula Laier)

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