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02/04/2010 - 20h57

Geithner quer "maximizar chances" de valorização do iuan

Por David Lawder e Jeff Mason

WASHINGTON (Reuters) - O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, disse na sexta-feira que o governo do presidente Barack Obama espera "maximizar as chances" de que a China valorize a sua moeda, inclusive por interesse próprio.

A declaração, num momento em que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos prepara um aguardado relatório em que pode acusar a China de manipulação cambial, sugere que o governo dos EUA receia em aplicar pressão demais sobre Pequim.

"É muito importante que a China aja", disse Geithner à TV Bloomberg. "Estou bastante confiante de que eles irão decidir que agir é do interesse deles. Vamos tentar assegurar que maximizaremos as chances de que eles ajam rapidamente."

Geithner disse que os EUA usarão a cúpula de junho do G20 (bloco de países ricos e emergentes), em Toronto, para discutir os interesses econômicos bilaterais como um todo, com uma estratégia "desenhada para aumentar as chances de que a China de fato decida fazer o que é do seu interesse, que é deixar que a moeda comece a subir outra vez".

Críticos da China dizem que a excessiva desvalorização do iuan beneficia exportadores chineses, por baratear seus produtos, e dificulta o acesso de produtos estrangeiros no enorme mercado chinês.

Pequim mantém intacta a taxa cambial desde julho de 2008, quando a crise financeira global se agravou significativamente. Nos três anos anteriores, o regime chinês vinha permitindo uma gradual valorização da moeda.

Nesta semana, a China anunciou que o presidente Hu Jintao participará de uma cúpula nuclear convocada por Obama nos EUA nos dias 12 e 13 --logo antes da divulgação do relatório do Tesouro, previsto para o dia 15. Isso alimentou especulações de que talvez o Tesouro decida não acusar a China de manipulação cambial, ou que adie o relatório para evitar constrangimentos a Hu.

Se o governo Obama qualificar a China de manipuladora cambial, teria início uma série de negociações que poderiam acabar em sanções unilaterais dos EUA a produtos chineses.

O jornal The New York Times disse que o relatório será adiado, mas a Casa Branca afirmou que nenhuma decisão foi tomada ainda. De acordo com o jornal, há no governo a tese de que ameaçar a China não será a forma mais eficaz de convencê-la a valorizar sua moeda.

Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, disse que os EUA estão "obviamente satisfeitos" com a ida de Hu na cúpula nuclear, por ser um evento "importante para a nossa segurança internacional e para a segurança internacional", mas que a presença dele não irá interferir na decisão sobre a política cambial.

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