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06/04/2010 - 20h56

Eletrobras quer captar US$2 bi no exterior em 2010

SÃO PAULO (Reuters) - A captação de 2 bilhões de dólares que a Eletrobras pretende fazer este ano deverá ser feita no mercado externo, afirmou nesta terça-feira o vice-presidente financeiro da estatal, Armando Casado.

A estatal prefere captar recursos no exterior porque existe o objetivo de se fazer um hedge natural com os recebíveis da usina binacional de Itaipu, afirmou Casado em reunião com analistas.

"Dos 2 bilhões de dólares, 500 milhões já estão em fase de contratação junto ao Bird, e serão investidos nas distribuidoras para o programa de melhorias técnicas e operacionais", disse Casado a jornalistas após o encontro com analistas.

Já os 1,5 bilhão de dólares restantes ainda não estão definidos, mas existe a possibilidade de que a captação seja por meio da Corporação Andina de Fomento (CAF) e instituições financeiras, afirmou.

Os planos de investimento da Eletrobras envolvem 30 bilhões de reais até 2012 e a empresa pretende captar, todos os anos, 2 bilhões de dólares. "Mas isso é um valor médio, porque isso depende do sucesso dos leilões", disse Casado.

A decisão de, por enquanto, não acessar o mercado interno para captações vem do fato de que, segundo a Eletrobras, o valor das ações está baixo, se comparado ao valor patrimonial da companhia, de controle estatal.

A preferencial da Eletrobras encerrou nesta terça-feira a 31,80 reais, em queda de 0,31 por cento, e a ordinária a 25,97 reais, em baixa de 0,7 por cento. Já o Ibovespa recuou 0,3 por cento.

"O momento adequado será avaliado segundo a oportunidade de captação. Hoje a ação de mercado está muito diferente do valor patrimonial, então a expectativa é melhorar a governança da companhia, aproximar esse valor de mercado e criar as oportunidades para que a operação seja um sucesso", afirmou.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS

O diretor financeiro da Eletrobras afirmou ainda que a empresa está adotando programas de demissão voluntária como forma de se melhorar a eficiência operacional.

Tanto a Eletrobras Holding quanto a Eletrosul já realizaram seus programas, embora o número exato de quantos funcionários saíram dos quadros não tenha sido divulgado.

A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) atualmente está implementado PDV, enquanto Eletrosul e Furnas estão aguardando autorização do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais, vinculado ao Ministério do Planejamento, para fazerem o mesmo.

Sobre o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que acontecerá em 20 de abril em Brasília, o diretor financeiro apenas confirmou a participação da estatal e disse que a participação será "minoritária relevante", com até 49 por cento de participação no consórcio. "Ainda não temos parceiros escolhidos", afirmou Casado, garantindo ainda que não se sabe quantos consórcios deverão participar do leilão.

Os investimentos na construção da usina, localizada no Rio Xingu (PA), são calculados em 19 bilhões de reais e o preço-teto por megawatt-hora é de 83 reais. Vence quem se dispuser a cobrar o menor valor por MWh.

(Por Carolina Marcondes)

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