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06/04/2010 - 16h32

Fusões voltam ao nível pré-crise no Brasil no 1º trimestre, diz pesquisa

SÃO PAULO, 6 de abril (Reuters) - As empresas brasileiras voltaram com tudo no mercado de fusões e aquisições no início de 2010, segundo pesquisa da KPMG divulgada nesta terça-feira.

De acordo com o levantamento, foram 160 transações no período, 58% a mais do que em igual período do ano passado e o melhor primeiro trimestre da história.

Deste total, 88 negócios envolveram uma empresa brasileira comprando outra com sede no país. Em 16 casos, empresas nacionais fizeram aquisições no exterior, e outros 16 envolveram companhia doméstica adquirindo de estrangeiros no Brasil.

"Isso aponta uma recuperação sustentada do setor, que estava estagnado desde o quarto trimestre de 2008", disse Luís Motta, sócio de finanças corporativas da KPMG no Brasil.

Por setores, o de tecnologia da informação, com 20 transações, foi o mais ativo, seguido por açúcar e álcool (12), alimentos, bebidas e fumo (11) e de óleo e gás (11).

A pesquisa reforça a tendência antecipada em levantamento da Thomson Reuters, na semana passada, mostrando que o volume financeiro de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras deu um salto de 75 por cento no primeiro trimestre ante igual etapa de 2009, para 23,39 bilhões de dólares.

Segundo especialistas do setor, diante das expectativas de forte recuperação da economia doméstica este ano, após os efeitos da crise de 2008, muitas empresas estão se antecipando à tendência de consolidação que é prevista em vários setores, com destaque para os de varejo, sucroalcooleiro e serviços.

"E as empresas brasileiras estão se destacando por estar mais bem capitalizadas", disse Motta.

Outro movimento percebido no período foi o uso de mecanismos alternativos para liquidar parte ou o todo das operações, tal como assunção de dívidas, como no caso da joint venture da Cosan <CSAN3.SA> com a Shell <RDSa.L> ou emissão de ações, caso da compra da Quattor pela Braskem <BRKM5.SA>.

E, devido ao processo acelerado de consolidação, empresas internacionais com planos de entrar ou se fortalecer no país perceberam que, daqui em diante, a única chance de serem bem sucedidas é fazer parcerias com grupos líderes no mercado doméstico, disse Marco Gonçalves, chefe da área de fusões e aquisições do BTG Pactual, banco líder do setor em 2010.

"Os estrangeiros estão mirando parcerias com grupos grandes. Mesmo os fundos de private equity estão comprando fatias em empresas mais estabelecidas", disse ele à Reuters.
(Reportagem de Aluísio Alves; Edição de Vivian Pereira)
 

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