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06/04/2010 - 15h27

Grécia desmente notícia de FMI, mercados abatem ativos

Por Lefteris Papadimas e Renee Maltezou

ATENAS, 6 de abril (Reuters) - Os mercados financeiros elevaram o prêmio de risco dos títulos da Grécia à máxima histórica do euro nesta terça-feira, em meio a crescentes dúvidas sobre a capacidade do endividado país de resolver sua crise de dívida e ao contínuo ceticismo sobre o mecanismo de ajuda da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país.

"A crise está longe de acabar", disse Diego Iscaro, economista da IHS Global Insight. "A economia ainda está se contraindo, as reformas estruturais ainda precisarão ser implementadas, a situação política ainda é incerta."

Ao retornar aos mercados após uma pausa de quatro dias por conta da Páscoa, os investidores golpeavam a Grécia em meio a notícias de que a endividada nação está buscando aperfeiçoar a rede de segurança oferecida em conjunto pela UE e o FMI, apesar de autoridades gregas terem negado que pretendem renegociar o acordo.

Os mercados debilitavam os ativos gregos, elevando os custos de financiamento da Grécia a uma nova máxima histórica, com o prêmio demandando por agentes para comprar títulos do governo grego de 10 anos em relação aos bunds alemães, referência na zona do euro, subindo a 409 pontos básicos.

"Há uma enorme quantidade de incerteza sobre os termos da ajuda", afirmou Giada Giani, economista do Citigroup. "Isso assusta os mercados porque eles acham que o envolvimento do FMI pode exigir uma reestruturação da dívida."

O euro perdeu terreno contra o dólar, enquanto as bolsas de valores norte-americanas operavam perto da estabilidade, após abrirem em queda por preocupações com a Grécia.

Os líderes da União Europeia entraram em acordo sobre um mecanismo de ajuda no mês passado, afirmando que a Grécia poderia, em última instância, receber ajuda por meio de empréstimos bilaterais e dinheiro do FMI, caso o mercado financeiro se torne insuficiente e se todos os Estados da zona do euro concordarem.

Mas o FMI não detalhou como cooperaria, e todos os Estados-membros da zona do euro, incluindo a Alemanha, possuem poder de veto, dificultando a execução do mecanismo de ajuda.

Notícias assustam mercados 

A agência de notícias Market News International informou, citando fontes anônimas do governo grego, que Atenas quer renegociar o plano de ajuda da UE, cujo objetivo é proteger a Grécia de um potencial default, à medida que o país tem dificuldades para gerenciar uma dívida de 300 bilhões de euros (US$ 402,3 bilhões).

A agência disse que Atenas quer amenizar o papel do FMI porque está preocupada com a possibilidade de o organismo impor condições rígidas.

Mas o ministro de Finanças grego, George Papaconstantinou, negou a veracidade das informações da Market News International.

"A Grécia nunca realizou nenhuma ação para mudar os termos do recente acordo no Conselho Europeu sobre o mecanismo de suporte", disse ele em comunicado.

A comissão executiva da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) não comentaram a notícia deste terça-feira. O FMI afirmou que dará início a uma missão técnica à Grécia na quarta-feira para analisar os problemas fiscais do país.

Enquanto isso, o Financial Times reportou que a Grécia está buscando entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões de investidores norte-americanos para ajudar a cobrir suas necessidades de financiamento relativas a maio de cerca de 10 bilhões de euros (US$ 13,5 bilhões).

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