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06/04/2010 - 11h57

Siderúrgicas têm margem para lidar com alta de custos de insumos

Por Humeyra Pamuk e Eric Onstad

LONDRES (Reuters) - As siderúrgicas europeias podem sobreviver a uma alta no custo do minério de ferro por ora, contando com repasse dos aumentos dos preços de matéria-prima para os clientes que estão recompondo estoques.

Mas o problema maior dos aumentos de custos com minério de ferro, carvão coque e sucata vai ser sentido no terceiro trimestre, quando analistas prevêem uma possível queda no movimento de reconstituição de estoques conjugada com demanda do usuário final ainda lenta.

A indústria siderúrgica europeia pediu para autoridades mundiais analisarem o que chamam de competição desleal, refletida por preços de minério de ferro quase duas vezes maiores este ano e por uma mudança no sistema anual de estabelecimento de preços.

Mas analistas acreditam que as siderúrgicas têm margem suficiente para absorver esses aumentos de custos com matérias-primas, pelo menos até o final de 2010, quando afirmam que as margens vão se retrair. Por enquanto, as usinas estão promovendo aumentos consecutivos de preços de aço, o que significa que até agora elas estão se sentindo confortáveis em repassar os custos.

"O custo de produção da bobina a quente na Europa aumentou cerca de 140-150 dólares recentemente, e o preço subiu junto", afirmou o analista Colin Hamilton do Macquarie. "Na nossa visão, as usinas já passaram o custo, a questão o quanto mais elas conseguem fazer isso."

ArcelorMittal, ThyssenKrupp e Voestalpine anunciaram vários aumentos de preços nos últimos seis meses, impulsionando o preço médio da bobina a quente na Europa para 680 dólares ante 561 dólares a tonelada no último trimestre de 2009.

A ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, é uma das preferidas dos analistas por ser um dos grupos mundiais mais auto-suficientes em minério de ferro, produzindo 59 por cento de suas necessidades no quarto trimestre do ano passado.

"Os preços praticados no segundo trimestre devem gerar expansão de margens devido à compra de matérias primas sob o contrato anual enquanto os preços têm sido relativamente fortes".

DE OLHO NO TERCEIRO TRIMESTRE

A maior produtora mundial de minério de ferro, a Vale, fechou um acordo semana passada com usinas japonesas, que irão pagar 90 por cento a mais pela commodity ante o atual sistema de preços.

A sul-coreana Posco, quarta maior produtora mundial de aço, concordou em pagar 200 dólares por tonelada de carvão coque duro importado de abril a junho, o que reflete uma alta de 55 por cento ante os preços estabelecidos no ano passado.

Mas o custos serão visíveis somente na parte final do ano.

"O que acontecerá no terceiro trimestre é a questão. Acreditamos que a demanda será relativamente forte e que os preços continuarão subindo, mas o aumento no minério de ferro e carvão coque aumentarão os custos em aproximadamente 200 dólares por tonelada", disse Wood na Nomura.

Uma possível desaceleração na demanda, que diversos analistas antecipam em decorrência da reposição de estoques pode deixar as produtoras de aço em uma posição vulnerável.

"Parece que a demanda do cliente final não crescerá tanto quanto a produção de aço, o que para mim é um indicativo de que as pessoas estão comprando aço para estocar a um preço menor e evitar comprá-lo quando os preços estiverem maiores", disse Matthias Hellstern, analista na Moody's.

"Isso significa que quando os estoques estiverem cheios e todos pensarem que os preços atingiram um certo nível, então todos vão parar de comprar."

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