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08/04/2010 - 12h16

Grécia mergulha ainda mais na crise, atingindo bancos e o euro

Por Ingrid Melander e Harry Papachristou

ATENAS (Reuters) - O mercado golpeava os bônus e as ações dos bancos gregos nesta quinta-feira, conduzindo os juros da endividada nação da zona do euro a novas altas e deixando o país mais próximo de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia.

 

O governo da Grécia tinha dificuldades para garantir aos mercados que ela pode manter a solvência, com o prêmio dos bônus gregos sobre os bônus alemães alcançando pelo terceiro dia seguido o maior nível desde que a Grécia aderiu ao euro.

Mas o ceticismo continuava a crescer por causa da falta de detalhes sobre o resgate do FMI e da UE, aumentando a pressão sobre o país que se esforça para cobrir o déficit orçamentário e sua enorme dívida pública.

Chris Pryce, analista sênior da Fitch para a Grécia, disse que a única escolha de Atenas é pedir ajuda.

"Apesar de tudo que a UE e a zona do euro fizeram ali, ainda há falta de clareza (e) confusão sobre o que eles pretendem fazer, quando eles pretendem fazê-lo e o quanto estaria envolvido", disse ele à Reuters.

O spread de juro entre os bônus gregos de 10 anos e os alemães subia quase meio ponto percentual, a cerca de 463 pontos-básicos nesta quinta-feira.

Os rendimentos dos bônus de dois anos da Grécia avançavam mais de 100 pontos-básicos, para quase 8 por cento.

O euro era cotado a 1,3335 dólar às 11h15 (horário de Brasília), com mínima de 1,3306 dólar nesta sessão.

Níveis "insanos"

"Os níveis de spread hoje são insanos, eles não são níveis para um país da zona do euro", disse Panagiotis Dimitropoulos, tesoureiro do Millennium Bank na Grécia. "Parece que a Grécia está sendo empurrada na direção do mecanismo de resgate."

A Alemanha, que pode vetar o acesso de Atenas ao pacote de ajuda, também mantinha sua posição de que o auxílio é uma última opção, com um porta-voz dizendo que, apesar na elevação dos juros, "a posição do governo continua igual".

O próximo grande desafio que a Grécia enfrenta é conseguir 11 bilhões de euros emprestados até o final de maio.

Uma fonte do setor bancário, que pediu anonimato, disse que os quatro maiores bancos gregos -- Banco Nacional da Grécia, Eurobank, Alpha Bank e Piraeus Bank -- pediram acesso aos recursos remanescentes do pacote de apoio na semana passada.

Outra questão são as novas regras anunciadas nesta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) para estender os termos de empréstimo para credores de bônus governamentais gregos até 2011.

Isso diminuiria o perigo dos bônus gregos caírem da lista do que os bancos podem trocar por empréstimos do BCE no ano que vem se enfrentarem mais rebaixamentos de ratings.

Mas também foi introduzida uma escala de redução dos prêmios de risco em bônus usados amplamente pelos bancos gregos para pagar crédito do BCE. Isso poderia criar problemas de financiamento ao reduzir na prática o valor dos ativos que não possuem notas mais altas.

(Reportagem de Lefteris Papadimas e Ingrid Melander)

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