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08/04/2010 - 11h47

IPCA desacelera em março, mas alimentos pressionam

* IPCA sobe 0,52% em março, ante 0,78% em fevereiro

* É o menor desde dezembro, mas maior março desde 2005

* Educação e transportes aliviam inflação, alimentos sobem

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 8 de abril (Reuters) - A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em março para o menor patamar desde dezembro, passado o efeito sazonal da alta de educação, mas teve a maior leitura para esse mês desde 2005, em razão da continuidade da pressão dos alimentos.

O indicador subiu 0,52 por cento em março, seguindo a alta de 0,78 por cento em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Em março de 2009, o IPCA registrou variação positiva de 0,20 por cento.

Analistas previam, segundo pesquisa da Reuters, alta de 0,50 por cento.

Os núcleos também perderam força. Segundo cálculos de analistas, a média dos três núcleos do índice subiu 0,43 por cento em março, ante alta de 0,52 por cento em fevereiro.

O IBGE acrescentou que os preços do grupo Educação aumentaram apenas 0,54 por cento em março, depois da alta de 4,53 por cento em fevereiro.

Os Transportes também aliviaram a pressão, passando de aumento de 0,79 por cento em fevereiro para queda de 0,54 por cento em março.

O movimento reflete a queda de 2,51 por cento dos combustíveis, que no mês anterior haviam subido 1,14 por cento, devido, segundo o IBGE, à redução temporária da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e à diminuição da parcela do álcool na gasolina.

PRESSÕES

Apesar da desaceleração em março, o IPCA mostrou várias pressões no mês, principalmente dos alimentos, que já acumulam em 2010 taxa mais forte do que em todo o ano de 2009.

Sete das nova classes de despesas investigadas pelo IBGE aceleraram a alta de preços em março. Alimentos e bebidas tiveram avanço de 1,55 por cento em março, ante 0,96 por cento em fevereiro.

A contribuição do grupo foi de 0,35 ponto percentual e representou 67 por cento da taxa do IPCA do mês passado.

A alta dos alimentos foi a mais elevada desde junho de 2008 e encerrou o primeiro trimestre a 3,69 por cento, ante 1,32 por cento no mesmo período do ano passado. A variação acumulada de alimentos no trimestre é a maior desde 2003.

"A alta dos alimentos está muito forte e já supera inclusive toda a variação do ano passado que foi de 3,18 por cento", afirmou e economista do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

A lista de pressões entre os alimentos é diversificada e incluiu produtos diversificadas como tomate, frutas, hortaliças, batata, cebola, feijão ,ovos, pesacado, fango, refeição fora de casa, leite, cerveja e macarrão.

"Há uma diversidade de altas e o movimento é generalizado. O que se identifica claramente é o problema causado pelo chuva, mas o aumento do poder de compra e o aumento da demanda podem ser um efeito secundário", afirmou Eulina.

Eulina destacou que nos demais grupos que subiram entre fevereiro e março as pressões foram mais concentradas. O fim da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre alguns produtos como mobiliário, eletrodomésticos e seguro de carro impactaram o IPCA em 0,05 ponto percentual.

A previsão é que em abril os alimentos ditem o ritmo da inflação, visto que há impactos previstos de apenas medicamentos e um resíduo do reajuste do táxi no Rio de Janeiro.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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