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09/04/2010 - 16h04

Construção quer IPI menor permanente; Mantega sugere investir

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 9 de abril (Reuters) - Representantes da indústria da construção civil reúnem-se nesta sexta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir a extensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero para materiais de construção.

Para dar sustentação ao pleito, os empresários do setor vão apresentar ao ministro os resultados de um estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) à Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrando que estendida por mais 2 anos, a isenção faria o PIB ter um crescimento adicional de 1,3 por cento.

"Teria um efeito benéfico sobre o PIB e a criação de empregos", disse à Reuters Melvyn David Fox, presidente da Abramat.

Adotada em abril do ano passado em meio à série de medidas fiscais do governo para estimular a economia abalada pela crise de setembro de 2008, a isenção deveria valer por seis meses, mas foi estendida em dezembro para até junho deste ano.

Agora, as entidades representativas do setor admitem que o benefício já não é necessário, uma vez que há uma expectativa de forte crescimento do setor nos próximos anos, na esteira da segunda etapa do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, anunciado no final de março, que prevê 2 milhões de moradias novas até 2014, mas que isso seria positivo.

"Não é fundamental (estender a isenção), mas criaria um ambiente positivo", disse a jornalistas o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão.

Segundo ele, só o impulso criado com a primeira etapa do programa já está fazendo a indústria da construção civil trabalhar a toda velocidade, o que pode ser percebido pelo nível do uso da capacidade instalada, que gira em torno de 90 por cento.

"Está até faltando mão-de-obra; estamos tendo que colocar pra dentro das obras gente sem experiência e importar gente de países vizinhos", disse Simão a jornalistas.

De acordo com ele, hoje já são cerca de 800 mil casas cuja construção foi contratada dentro da primeira etapa do Minha Casa, Minha Vida, cuja meta é chegar à cifra de 1 milhão de unidades até dezembro.

Mas os representantes da indústria não definiram um pleito unânime. Embora o estudo da FGV leve em conta uma isenção por mais 2 anos do imposto, a Abramat fala em tornar o benefício permanente. Já Simão, da CBIC, quer a extensão de alíquota zero até dezembro.

Consultado sobre o tema, Mantega admitiu que o assunto está em estudo no ministério, mas evitou dar esperanças aos empresários.

"Estamos com uma perspectiva excelente para o setor que vai perdurar nos próximos anos", afirmou. "Eu aconselho as empresas a investir para dar conta do aumento da demanda", emendou.

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