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09/04/2010 - 18h31

Ibovespa belisca 72 mil pontos, mas cai por ajustes e petróleo

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice acionário do Brasil terminou em queda nesta sexta-feira, descolando-se da alta em Wall Street em meio à realização de lucros e à queda do petróleo, que prejudicou a Petrobras.

O Ibovespa caiu 0,51 por cento, para 71.417 pontos. No começo da sessão, com uma breve e pequena alta, o índice chegou a renovar o maior patamar em 22 meses, a 71.989 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 5,87 bilhões de reais.

"A alta de ontem (de 1,4 por cento) autorizou um ponto de venda", disse André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. "Do ponto de vista de eventos econômicos, os indicadores não apontam uma piora, pelo contrário".

De fato, o aumento maior que o esperado dos estoques no atacado dos Estados Unidos ajudou os índices Dow Jones e S&P 500 a fechar em alta de 0,6 e 0,7 por cento, respectivamente. O Dow chegou a superar 11 mil pontos pela primeira vez desde setembro de 2008.

O mercado acionário internacional também recebeu com bons olhos a notícia de que líderes europeus chegaram a um acordo sobre os termos da ajuda financeira à Grécia.

Em Nova York, as ações de energia foram o destaque, após a Chevron dar uma perspectiva positiva sobre o setor.

No Brasil, as ações da Petrobras tiveram comportamento oposto por causa da queda dos preços do petróleo. O papel preferencial caiu 1,6 por cento, a 35,23 reais.

O setor imobiliário foi um dos que mais sofreu com a realização de lucros, devolvendo parte dos expressivos ganhos da véspera. MRV caiu 3,5 por cento, a 12,08 reais, liderando as perdas do índice. A incorporadora PDG Realty recuou 2,4 por cento, a 14,90 reais, e a Gafisa encolheu 2,5 por cento, para 12,20 reais.

Representantes da construção civil se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir a extensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre materiais para construção. O ministro admitiu que o tema está sendo analisado, mas evitou dar esperanças aos empresários, recomendando que aumentem os investimentos.

A produtora de carnes JBS teve uma das maiores altas do índice, subindo 2,7 por cento, a 8,46 reais. A empresa, que prepara uma oferta de ações de pouco mais de 2 bilhões de reais, recuperou parte de seu valor após cair em quase todo o mês de março.

Fora do índice, Brasil Ecodiesel subiu 5,3 por cento, a 1,20 real. A empresa produtora de biodiesel se beneficiava de uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro, que impede a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de licitar a outras empresas lotes arrematados pela Brasil Ecodiesel no 17o leilão de biodiesel.

Além disso, as ações da Suzano Papel e Celulose repercutiram negativamente rumores de que a companhia estaria trabalhando em uma emissão de ações para financiar expansão, com baixa de 3,8 por cento, a 23,18 reais.

(Edição de Aluísio Alves)

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