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09/04/2010 - 19h36

UE define termos de ajuda à Grécia;Fitch rebaixa país

Por Jan Strupczewski e Harry Papachristou

BRUXELAS/ATENAS (Reuters) - As autoridades da zona do euro chegaram a um acordo nesta sexta-feira sobre os termos de um eventual pacote de resgate para a Grécia, mas a agência de classificação de risco Fitch reduziu a avaliação do país, citando piora da economia e aumento dos custos de financiamento.

Os vice-ministros das Finanças e autoridades de bancos centrais dos 16 países da zona do euro decidiram que qualquer empréstimo emergencial será concedido sob termos praticamente idênticos aos delineados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo uma fonte europeia.

"Um acordo foi atingido", disse a fonte, que tem conhecimento sobre as discussões. "É quase uma cópia dos termos do Fundo Monetário Internacional."

A notícia, no entanto, levou pouco alívio aos mercados, que foram abatidos pela notícia de que a Fitch reduziu a nota da dívida grega para "BBB-" e sinalizou novos rebaixamentos, citando uma intensificação dos desafios fiscais.

Dados divulgados nesta manhã enfatizaram a fraqueza da economia, o que agrava ainda mais os problemas fiscais, já que o governo grego continua resistindo à pressão do mercado para pedir ajuda.

A produção industrial grega despencou 9,2 por cento em fevereiro sobre igual mês de 2009 e a inflação saltou para 3,9 por cento em março.

A Bulgária foi motivo de um novo susto na zona do euro, ao adiar os planos de juntar-se à zona do euro depois de admitir nesta sexta-feira, como fez a Grécia no ano passado, que mentiu sobre o valor de seu déficit em 2009 e que ele é maior.

LÍDERES GARANTEM AJUDA

Autoridades da zona do euro procuraram garantir mais uma vez que a rede de segurança disponibilizada para a Grécia durante uma cúpula da União Europeia no mês passado está disponível se for necessária.

"Estamos prontos para tomar uma ação a qualquer momento para ajudar a Grécia", disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, após reunião com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

A fonte da UE disse que com os detalhes técnicos dos empréstimos à Grécia acordados, a decisão de emprestar a Atenas poderia ser tomada em questão de horas.

Um pedido de assistência por parte de Atenas seria analisado pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu (BCE), que iriam sugerir o montante e o vencimento dos empréstimos necessários.

"Seria uma quantia substancial, acho, algo suficiente para sacudir o mercado", disse.

"Similar ao caso da Hungria, quando eles (os húngaros) receberam tanto dinheiro que especuladores na verdade se queimaram e a Hungria não utilizou realmente o dinheiro", afirmou a fonte.

Mas as taxas cobradas continuariam a ser altas. Fontes da UE disseram que a Grécia teria de pagar mais do que 6 por cento para obter empréstimos de até 3 anos, e mais 100 pontos básicos para financiamentos mais longos.

"De acordo com os cálculos que nos foram dados, devido às atuais curvas nos yields, o equivalente da fórmula na UE seria bem acima de 6 por cento", disse uma fonte da zona do euro.

Uma segunda fonte confirmou que a taxa seria bem maior que 6 por cento. Ambas notaram que os cálculos são complexos, porque são baseados em uma taxa de três meses dos Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês) que precisa ser convertida em juros de três anos por meio de taxas de swap.

O FMI cobra 3,26 por cento para emprestar a países montantes acima de 300 por cento de suas cotas, o que seria o caso da Grécia, que tem uma cota de apenas 1,25 bilhão de dólares.

De acordo com a fórmula da UE, a zona do euro cobraria também um extra de 300 pontos-básicos e mais uma taxa de serviço de 50 pontos.

Qualquer desembolso será feito apenas com a aprovação unânime dos 16 países da zona do euro.

Questionado por jornalistas após o encontro se a Grécia quer que o plano de ajuda seja colocado em prática, o primeiro-ministro George Papandreou disse: "Não. A questão não foi levantada... nós dissemos que a Grécia não pretende usar esse mecanismo".

No entanto, o mercado financeiro aposta cada vez mais no contrário.

O estrategista de câmbio do banco UBS Geoffrey Yu disse que a ajuda do FMI pode acontecer "em questão de dias, em vez de semanas".

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