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12/04/2010 - 17h36

Novas interessadas em Belo Monte podem formar consórcio

Por Carolina Marcondes

SÃO PAULO (Reuters) - Com a confirmação de novas companhias de que há interesse em participar do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA), um segundo consórcio pode estar se formando para concorrer com o grupo encabeçado pela Andrade Gutierrez. Nenhuma delas, entretanto, admite entrar na disputa dentro de um consórcio.

Após a decisão de Camargo Corrêa e Odebrecht de sair da disputa para a construção e operação da terceira maior usina hidrelétrica do mundo, surgiram rumores de novas interessadas em entrar no leilão, previsto para o próximo dia 20 de abril.

A construtora OAS, que já atua no setor, foi uma delas. Além de construir termelétricas e atuar também em transmissão de energia, a OAS está construindo a usina hidrelétrica de Estreito, entre o Maranhão e o Tocantins. A OAS não faz parte do consórcio que venceu o leilão: os vencedores contrataram um novo consórcio para as chamadas "obras civis" da usina, este sim, encabeçado pela construtora.

A Serveng confirmou que aderiu à chamada pública da Eletrobras para interessados em parcerias no leilão. A construtora participou da construção da hidrelétrica de Corumbá IV, por meio de um consórcio formado também por CEB (distribuidora de Brasília), Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), fundo de pensão do Banco de Brasília (BRB) e a construtora C&M.

O grupo Queiroz Galvão também confirmou que compareceu à chamada da Eletrobras para o leilão, mas disse que não está integrando nenhum consórcio e nem há decisão sobre eventuais ofertas. A companhia atua no setor hidrelétrico como produtor independente, mas também construiu as usinas hidrelétricas de Queimado (MG/GO) e Eliezer Batista (MG), além das obras civis da usina hidrelétrica Miranda (MG) e da construção das usinas hidrelétricas Capim Branco I e II.

Já o Grupo Bertin, que afirmou na semana passada que definiu as áreas de energia e de infraestrutura como prioridades para os próximos anos, e "tem estudado diversas opções de investimento", segundo o site da empresa, controla a Gaia Energia e Participações, que desenvolve projetos no setor de energia do grupo.

A Gaia venceu no início do mês leilão para venda de energia para a distribuidora do Pará, Celpa, que hoje faz parte do sistema isolado do Norte do país, mas que será interligada em 2011. O portfólio da empresa possui mais de 40 projetos entre usinas termelétricas, hidrelétricas, eólicas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

Existem ainda rumores de que a Alupar estaria interessada em participar do leilão de Belo Monte. Procurada pela Reuters, a companhia não confirmou se tem interesse em participar, ou ao menos ter participado da chamada pública da Eletrobras. Em 2005, a Alupar venceu leilões para a construção e operação das usinas São José e Foz do Rio Claro.

Além disso, fundos de pensão devem participar da licitação para a construção de Belo Monte.

O fundo de pensão Petros, principalmente formado por empregados da Petrobras, confirmou à Reuters interesse em participar do leilão, mas divulgou que ainda não tem uma decisão sobre o assunto e que só vai entrar se houver certeza do retorno do investimento.

Enquanto isso a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, também mostrou interesse em participar, mas "ainda não existe posicionamento". Já o Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, disse que deve participar do consórcio encabeçado pela Andrade Gutierrez por meio de empresas nas quais têm participação, Vale e Neoenergia.

ANDRADE GUTIERREZ É FAVORITA

Mesmo que estas empresas se unam a fundos de investimentos para participar do leilão de Belo Monte, o consórcio formado por Andrade Gutierrez, Neoenergia, Votorantim e Vale ainda é o favorito para vencer a disputa, afirma o professor do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde Castro.

"Este novo grupo não teria como oferecer garantias junto ao BNDES para receber financiamentos. Além disso, a Andrade Gutierrez não tem grandes dívidas, é um grupo sólido", diz Castro, que afirma ainda que a Eletronorte, subsidiária da Eletrobras com grande conhecimento no projeto de Belo Monte, deverá ser o braço estatal neste grupo.

"Este enventual consórcio não tem condições de fazer uma análise em tempo hábil para propor um deságio seguro. A Andrade Gutierrez era a franca favorita antes mesmo da saída de Camargo Corrêa e Odebrecht. Agora é ainda mais", completa o especialista.

Os investimentos previstos para a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, são da ordem de 19 bilhões de reais, e o preço-teto por megawatt-hora é de 83 reais. Vence a empresa ou consórcio que oferecer a menor tarifa.

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