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15/04/2010 - 17h38

CÂMBIO-BC reforça atuação e dólar interrompe série de quedas

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 15 de abril (Reuters) - O Banco Central intensificou a atuação no mercado de câmbio e impediu a sexta queda seguida do dólar nesta quinta-feira, voltando a comprar dólares duas vezes no mesmo dia após quase três anos.

A primeira operação foi feita entre 12h42 e 12h52, e a segunda surpreendeu o mercado entre 15h09 e 15h19.

A moeda norte-americana fechou a 1,752 real, com alta de 0,17 por cento. Antes do segundo leilão, o dólar contrariava a tendência do mercado internacional e caía 0,74 por cento, para 1,736 real --menor nível desde janeiro.

É a primeira vez desde 13 de julho de 2007 que o BC compra dólares duas vezes no mesmo dia. Desde então, o BC chegou a interromper as aquisições e até a vender dólares em 2008, durante a crise. As compras diárias foram retomadas, de forma quase ininterrupta, em maio do ano passado.

Embora o discurso oficial do BC seja o de que as compras têm apenas o objetivo de enxugar dólares excedentes e incorporá-los às reservas, a maior parte do mercado interpretou a notícia como um recado contra a queda excessiva do dólar.

"Um segundo leilão no mesmo dia é um sinal claro de que o Banco Central não está feliz com o atual nível (do câmbio). O mercado está certo em reagir", disse Tony Volpon, estrategista do Nomura Securities, em Nova York.

A moeda norte-americana caiu em 11 das últimas 12 sessões, estimulada pela perspectiva de entrada de recursos no país, pela redução dos temores sobre a Grécia após o pacote europeu de ajuda e pela ausência até então de sinais claros de uma atuação do governo contra uma valorização excessiva do real.

Entre as operações que prometem trazer bilhões de dólares no curto prazo está a oferta de ações do Banco do Brasil. Além disso, nesta quinta-feira o Tesouro Nacional emitiu 750 milhões de dólares em bônus de 10 anos.

Embora não irrigue diretamente o mercado de câmbio, a operação serve como referência para emissões de empresas brasileiras, que podem se favorecer com a redução dos custos de captação conseguidos pelo governo brasileiro nos últimos anos.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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