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15/04/2010 - 08h58

Economia chinesa salta e abre espaço para aperto

Por Zhou Xin e Simon Rabinovitch

PEQUIM (Reuters) - A China registrou um crescimento bastante forte no primeiro trimestre, de 11,9 por cento sobre igual período do ano anterior, alimentando a perspectiva de um aperto nas políticas para evitar um superaquecimento.

A taxa de expansão, a maior desde 2007 e acima da previsão do mercado de 11,5 por cento, foi em parte inflada pela baixa base de comparação no começo de 2009, quando a economia estava sendo abatida pela crise financeira mundial.

Mesmo assim, os economistas disseram que os dados divulgados nesta quinta-feira pela agência nacional de estatísticas são indiscutivelmente fortes e justificam uma política mais apertada.

Alguns analistas defenderam uma alta de juros para conter pressões inflacionárias, enquanto outros, como Glenn Maguire, do Société Générale em Hong Kong, apoiaram uma revalorização do iuan.

"A estabilidade do iuan e o pacote de estímulo da China deram uma enorme contribuição para a estabilidade global após a crise, mas agora que a economia da China está crescendo 12 por cento é a hora do país partilhar parte desse crescimento com o resto do mundo por meio de uma apreciação da moeda", afirmou ele.

O Ministério do Comércio reiterou sua oposição a um iuan mais forte. Um porta-voz disse que Washington está errado em argumentar que ao manter sua moeda baixa a China está dando uma vantagem injusta a seus exportadores e, consequentemente, contribuindo para o elevado desemprego norte-americano.

Mark Williams, do Capital Economics em Londres, disse que a brandura das pressões inflacionárias na China significa que não há razão econômica para Pequim deixar o iuan subir.

Embora os preços imobiliários tenham saltado 11,7 por cento em março ante igual período do ano passado, os preços ao consumidor subiram apenas 2,4 por cento, abaixo da previsão de economistas de 2,6 por cento.

"No entanto, um reequilíbrio econômico seria no longo prazo melhor alcançado com uma moeda mais forte", disse Williams.

Ele espera uma mudança na taxa de juros e no câmbio no próximo trimestre.

Neste ano, o banco central chinês já elevou duas vezes o depósito compulsório e agressivamente recolheu dinheiro do sistema bancário.

A agência de estatísticas divulgou uma série de outros dados da economia nesta quinta-feira.

Os preços ao consumidor chinês caíram 0,7 por cento em março sobre fevereiro e subiram 2,4 por cento na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os preços no atacado subiram 0,5 por cento mês a mês e aumentaram 5,9 por cento na comparação anual.

A produção industrial do país cresceu 18,1 por cento em março sobre o ano anterior, ante estimativa do mercado de 18,2 por cento.

A formação bruta de capital fixo --uma medida do investimento-- saltou 26,4 por cento no período de janeiro a março comparado a igual intervalo de 2009, ligeiramente acima das previsões de 26 por cento.

"Neste ano, a força da economia aumentou. Tivemos um bom começo", disse o porta-voz da agência, Li Xiaochao.

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