UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

15/04/2010 - 18h47

Ibovespa descola de NY e cai por medo de alta maior da Selic

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O temor de uma alta mais robusta do juro no Brasil pesou na Bovespa, que descolou da tendência positiva de Wall Street e Europa e caiu puxada pelas ações de siderúrgicas e da blue chip Petrobras.

O Ibovespa recuou 0,72 por cento, para 70.524 pontos. Num volume atípico para sessões regulares, o giro financeiro atingiu 8,58 bilhões de reais, um dos maiores do ano.

De acordo com profissionais do mercado, o mesmo conjunto de notícias positivas nos âmbitos corporativo e econômico, que levantaram os índices da Europa e Estados Unidos, na bolsa paulista foi lido como sinal de alerta.

A agenda incluiu o salto de 11,9 por cento do PIB chinês no primeiro trimestre, passou por resultados corporativos acima das expectativas de gigantes como Roche, UPS e Danone, e também viu novos reajustes de preços de commodities, o que reforçou a leitura de recuperação da economia mundial. Depois do aço, desta vez foi a vez do setor de papel e celulose.

Esse quadro benigno foi ainda respaldado pelo anúncio de que o governo brasileiro voltou ao mercado internacional com uma emissão de 750 milhões de dólares em bônus de 2021.

Parte dos investidores, no entanto, leu as boas novas como prenúncio de um aperto monetário mais firme para conter o superaquecimento econômico. Tendência ilustrada num relatório do JP Morgan, prevendo que o PIB nacional crescerá 7 por cento em 2010, puxado por produção industrial e vendas do varejo.

Assim, ao mesmo tempo em que tirou o pé das ações, o investidor acelerou a aposta de que a Selic possa subir até 1 ponto percentual na reunião do Copom nos dias 27 e 28 deste mês. A aposta majoritária até poucos dias atrás era de alta de 0,5 ponto.

Diante disso, especialistas já começam a prever um cenário menos vistoso para bolsas, especialmente a brasileira, cujo principal índice flerta com as máximas em quase dois anos.

"O momento mais vulnerável para o mercado de renda variável é quando os investidores ficam otimistas demais e podemos estar próximos disso", escreveu o BofA Merrill Lynch em relatório.

Adicionalmente, disseram operadores, operações de rolagem de contratos de futuros --na véspera aconteceu o vencimento dos contratos de índice-- e a pressão dos que apostam na baixa dos papéis no mercado de opções --que tem exercício na próxima segunda-feira-- também seguraram o Ibovespa.

Pelo segundo dia seguido, empresas siderúrgicas --que haviam anunciado planos de forte reajuste de preços na véspera- ficaram entre as líderes de perdas. Em destaque, Usiminas caiu 2,3 por cento, a 60,08 reais.

Outro segmento de má performance foi o de telefonia, após o Goldman Sachs reduzir a recomendação para o setor na América Latina de "neutra" para "cautelosa".

NET, que foi eliminada da lista prioritária do Goldman Sachs para a região, devido ao aumento da concorrência no setor de TV por assinatura, foi a pior do Ibovespa, tombando 4,1 por cento, a 21,58 reais.

O papel preferencial da Petrobras, a que mais pesou no índice, teve baixa de 1,9 por cento, a 33,60 reais, em meio à queda do petróleo e a persistentes incertezas ligadas à capitalização da companhia.

Dentre as poucas que destoaram do dia negativo na Bovespa, Fibria foi a melhor, com avanço de 3,4 por cento, saindo a 39,69 reais. A companhia anunciou pela manhã um reajuste de 50 dólares por tonelada de celulose a partir de 1o de maio.

Outra foi a petroleira OGX que, após ter tido o preço-alvo elevado de 25 para 29 reais pelo Credit Suisse, ganhou 1,8 por cento, a 17,94 reais.

(Edição de Silvio Cascione)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host