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22/04/2010 - 20h23

FMI tenta fortalecer frágil unidade entre G20

* FMI pede consistência em reforma regulatória global

* Fundo eleva tom sobre ajustes cambiais

* Diferenças sobre poder de voto aparecem

Por Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) buscou nesta quinta-feira fortalecer a frágil unidade entre as nações do G20, instando os países a não seguirem caminhos separados na reforma do sistema financeiro.

O diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, disse que as nações precisam garantir que estão indo na mesma direção no que tange à reforma regulatória se elas forem efetivas no controle das práticas de risco por bancos, apontadas como as responsáveis pela transformação da queda do setor de hipotecas norte-americano numa crise financeira global.

"Nossa principal preocupação é ter todos trabalhando juntos e manter a coordenação", disse.

Na reunião entre os líderes de Finanças em Washington para avaliar o progresso na reparação das economias abatidas pela recessão e na construção de uma plataforma mais estável para o crescimento, houve sinais de divisões, principalmente entre países duramente golpeados por problemas no setor bancário e os que escaparam bem da crise.

COOPERAÇÃO PARA REEQUILÍBRIO

Strauss-Kahn também pediu que o G20 coopere com medidas para reequilibrar a economia global para que grandes superávits em algumas nações como a China e maciços déficits no mundo rico não provoquem uma outra crise.

O FMI mostrou mais disposição nesta semana em pedir que países riscos permitam o enfraquecimento de suas moedas enquanto o iuan chinês se fortaleceria, mas o G20 pouco tem falado sobre questões cambiais.

O Fundo tem sido cuidadoso em não jogar toda a culpa sobre a China, dizendo que os países desenvolvidos precisam deixar que suas divisas, como o euro e o dólar, se desvalorizem para promover as exportações.

Strauss-Kahn afirmou que embora seja do interesse da economia chinesa deixar que sua moeda se aprecie, ele não espera que Pequim valorize o iuan da noite para o dia.

Ele acredita que a China "contemple com o tempo alguma valorização da moeda", acrescentando que o reequilíbrio da economia global deve ser um esforço mundial e não somente uma discussão entre nações.

O FMI e o Banco Mundial (Bird) enfrentam sua própria ação de reequilíbrio à medida que tentam redistribuir o poder de voto interno para dar mais representação às principais economias emergentes. O presidente do Bird, Robert Zoellick, pediu que os países-membros ponham de lado as diferenças sobre como os votos devem ser divididos e cheguem a um acordo imparcial.

SEM BALA DE PRATA PARA A GRÉCIA

Embora a crise financeira tenha arrefecido, formuladores de política monetária estão agora intensamente concentrados na possibilidade de que os problemas de dívida da Grécia se intensifiquem e ameacem se espalhar para outros países europeus, como Portugal.

Com uma missão do FMI atualmente em Atenas, Strauss-Kahn afirmou que as conversas sobre planos de resgate a Atenas levarão "alguns dias". Ele acrescentou que uma revisão para cima do déficit orçamentário grego "não ajuda".

Segundo Strauss-Kahn, "caso o problema comece a ficar um pouco pior que o esperado, levaremos isso em conta e isso fará parte da discussão que temos com as autoridades da Grécia nos próximos dias".

"Não há bala de prata para resolver isso de uma maneira mais fácil", acrescentou.

(Colaboraram Emily Kaiser e Louise Egan)

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