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24/04/2010 - 17h36

Brasil agirá com vigor para deter inflação, diz Meirelles

Por Ana Nicolaci da Costa

WASHINGTON, 24 de abril (Reuters ) - O Banco Central brasileiro vai agir com vigor para buscar o centro de sua meta de inflação no tempo devido, afirmou o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, neste sábado.

O Brasil deve ser a primeira economia da América Latina a elevar as taxas de juros na próxima quarta-feira, com analistas divididos sobre se o Banco Central subirá em 50 ou 75 pontos-básicos. As taxas de juros estão agora na mínima recorde de 8,75 por cento.

Falando nos corredores de uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, Meirelles disse que o banco será "absolutamente rigoroso" para conservar seu regime de meta de inflação.

"Aqueles que pensam que o Banco Central será leniente com a inflação estão enganados", disse Meirelles a jornalistas.

"O Banco Central está comprometido em assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no período apropriado, e isso certamente requer a ação vigorosa do BC durante todo o processo."

Luis Costa, analista de mercados emergentes do Citigroup em Londres disse que os comentários são, em sua essência, "de alta" e sinalizam que o BC começará o aperto monetário com uma alta mais agressiva, de 75 pontos-básicos.

"Os comentários são muito fortes. Eu acho que ele está dizendo que ele vai pelo menos corresponder às expectativas do mercado para uma alta de 75 pontos-básicos", disse Costa. "A questão é em que medida o fator político vai interferir na decisão do comitê de política monetária.

Numa pesquisa do BC, analistas esperam que o índice de preços ao consumidor (IPCA) termine o ano em 5,49 por cento -- acima da meta de 4,5 por cento do Banco Central.

Alguns temem que o banco pode ter ficado atrás da curva quando manteve as taxas em março, mesmo que a ata mostre que houve consenso para elevar os juros no mês seguinte.

Alguns analistas disseram que há influência política na decisão, pois, naquele momento, Meirelles estava considerando renunciar seu cargo no BC para concorrer nas eleições de outubro.

"Houve muitas críticas ao Banco Central por ter atrasado o processo de alta de juros por motivos políticos", disse Roberto Padovani, estrategista-chefe para o Brasil da WestLB, em São Paulo.

"Faz sentido ter um discurso forte para mostrar que está comprometido a cumprir as metas."

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