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24/04/2010 - 14h36

Grécia aperta "botão de ajuda";mercado segue cauteloso

Por Dina Kyriakidou e Michael Winfrey

ATENAS (Reuters) - Profundamente endividada, a Grécia apelou nesta sexta-feira a seus parceiros europeus e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por empréstimos emergenciais, rendendo-se à avassaladora pressão dos mercados para que seja posta em prática a primeira operação financeira de socorro a um país membro da zona do euro.

O primeiro-ministro George Papandreou requisitou um pacote de 45 bilhões de euros (60,5 bilhões de dólares) depois que investidores, temendo uma possível inadimplência, empurraram os custos dos empréstimos para níveis recordes, minando os esforços do governo grego para cortar sua dívida acumulada, no valor de 300 bilhões de euros.

"É uma necessidade imperativa e nacional pedir oficialmente a nossos parceiros na UE a ativação do mecanismo de apoio que criamos em conjunto", disse Papandreou em um comunicado televisionado da pequena e remota ilha de Kastellorizo, no mar Egeu.

"O tempo que não nos foi dado pelo mercado nos será dado pelo apoio da zona do euro."

Os mercados europeus se animaram brevemente com o anúncio, mas caíram à medida que investidores diziam que o pacote há tanto tempo aguardado, e que poderia ser o maior resgate multilateral de ajuda já concedido a um país, traria um alívio apenas no curto prazo. A Grécia poderia ser forçada a adotar medidas de austeridade mais duras, aprofundando sua recessão.

Depois de um salto inicial, o euro permanecia apenas levemente mais alto durante o dia, cotado a 1,3363 dólar às 14h03 (horário de Brasília).

A crise grega abalou a confiança na moeda única, compartilhada por 16 dos 27 membros da União Europeia, desencadeando temores de que poderia espalhar-se para Portugal e Espanha, que também passam por dificuldades financeiras, e alimentando o ceticismo em algumas áreas sobre a sobrevivência do euro no longo prazo.

(Para ver a crise da zona do euro em gráficos, clique em http://r.reuters.com/fyw72j)

Os investidores preferenciais exigiam para comprar títulos do governo grego de 10 anos em lugar dos títulos de referência da zona do euro, um prêmio de 525 pontos básicos, em lugar dos 611 pontos da quinta-feira, antes de voltar para 570 pontos.

Espremido entre as forças punitivas dos mercados e os trabalhadores gregos que protestam contra as dolorosas medidas de austeridade, o governo socialista de Papandreau estava hesitando em apertar o botão "de ajuda".

O último indício veio na quinta-feira, quando a Comissão Europeia revelou que o déficit público da Grécia era ainda mais alto do que o estimado antes, chegando a 13,6 do PIB, elevando as projeções para os cortes drásticos este ano. Isso levou os títulos da Grécia a subir ainda mais, tornando proibitivo o custo da tomada de empréstimos no mercado.

A decisão de pedir o pacote de ajuda se seguiu a uma reunião de gabinete de sete horas de duração, durante a qual alguns ministros expressaram o temor de condições de austeridade ainda mais duras, informou a imprensa grega.

"Isto certamente não marca o fim da crise, ainda há muito por vir", disse Ben May, economista europeu da Capital Economics. "Eles ainda têm os problemas de colocar suas finanças em ordem e, obviamente, a questão da competitividade."

QUESTÃO DE TEMPO

O governo grego continuava em conversações com a Comissão, o Banco Central Europeu e o FMI nesta sexta-feira sobre um programa fiscal de três anos, incluindo o pacote de ajuda. O tempo pressiona, já que bônus no valor de 8,5 bilhões de euros vencem em 19 de maio.

O ministro das Finanças, George Papaconstantinou, disse esperar que a primeira parte da ajuda seja desembolsada antes dessa data.

Uma pesquisa mostrou nesta sexta-feira que o apoio a Papandreou, embora ainda seja alto, está caindo e a maioria da população grega teme que o pacote de ajuda afete seu padrão de vida.

Em Atenas, muitas pessoas disseram pensar que o acordo era inevitável, mas a funcionária pública Sofia Hatzaki estava furiosa.

"Fiquei uma fera quando escutei", disse ela. "Queria gritar. Isso significa que mais medidas de austeridade estão vindo e a recuperação está muito longe."

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