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27/04/2010 - 19h11

Indústria de SP volta a nível pré-crise em abril--Fiesp

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Onze dos 17 segmentos da indústria paulista já se encontravam em março acima dos patamares pré-crise e em abril o setor como um todo deve recuperar o terreno perdido desde setembro de 2008, avaliou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira.

Em março, o Indicador do Nível de Atividade (INA) paulista subiu 2,8 por cento sobre fevereiro, com ajuste sazonal, superando a previsão da Fiesp e levando a entidade a antecipar em um mês o cenário de volta ao nível anterior à crise.

"O mês de março foi homogêneo em termos de valores positivos entre os setores. Os valores negativos são poucos", disse Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp.

Assim, os setores de Minerais não metálicos, Material elétrico, Veículos, Alimentos e bebidas, Têxtil, Papel e celulose, Químicos, Borracha e plástico, Móveis e diversos, Refino de petróleo e álcool e Outros equipamentos de transporte conseguiram voltar aos níveis em que operavam em setembro de 2008, mês da quebra do banco Lehman Brothers.

Outros seis segmentos --Edição e gráfica, Metalurgia básica, Máquinas e equipamentos, Produtos de metal excluindo máquinas, Informática e Material eletrônico e de comunicação--, ainda não se recuperaram, fazendo com que a indústria como um todo estivesse em março 0,9 por cento abaixo do patamar pré-crise.

"São menos setores os com queda, mas com quedas muitos fortes... Em abril devemos voltar aos níveis de antes da crise", disse Francini.

Após a retomada, a indústria pode começar a registrar crescimento mais moderado, disse ele, citando outra pesquisa da Fiesp, o Sensor, que visa atuar como um indicador antecedente, apurando o humor do empresário e não a atividade em si.

O Sensor manteve-se acima da linha de 50 que divide crescimento de retração, mas caiu para 55,9 em abril, ante 57,7 em março. Os componentes de vendas e emprego também tiveram queda, apesar de conseguiram seguir no território positivo.

"Isso pode estar indicando que o nível de aceleração do crescimento da atividade vai ter que encontrar um período de acomodação", afirmou Francini. "E não temos nada contra isso", acrescentou ele, já que é um movimento natural da indústria trocar os níveis recordes atingidos durante uma fase de recuperação por um ritmo mais sustentável.

Este começo de ano foi bastante forte. O dado do mês passado foi o segundo melhor março da série histórica e o primeiro trimestre teve a maior alta, de 18,2 por cento, para o período de toda a medição, iniciada em 2003.

Em março, os destaques de alta de produção apontaram setores mais ligados à demanda interna: Produtos têxteis, Artigos de borracha e plástico e Minerais não metálicos.

CAPACIDADE INSTALADA EM USO

A Fiesp também informou que seu Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) com ajuste sazonal aumentou em março para 81,6 por cento, ante 79,1 por cento em fevereiro e 77,4 por cento em igual mês do ano passado.

Francini ressaltou, no entanto, que o patamar não preocupa, já que se for necessário a indústria tem capacidade de responder rapidamente a um aumento da demanda com investimentos e produtividade maiores.

Para melhor apurar a questão da capacidade instalada, que é um dos indicadores acompanhados de perto pelo Banco Central, a Fiesp apresentou uma nova medição, mas ressaltou que não pretende trocar a Nuci por ela.

O novo indicador --Nível de Utilização da Produção Plena (Nupp)-- é baseado na metodologia do Census Bureau dos Estados Unidos e é referente a fevereiro, quando ficou em 69 por cento, ante 79 por cento do Nuci.

Segundo Francini, o Nupp é um melhor indicador porque o Nuci usa a visão das empresas de a quanto por cento de sua capacidade estão operando e o Nupp mede a produção máxima que a indústria pode ter, de acordo com o estoque de máquinas e equipamentos, e então calcula o que está sendo usado.

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