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30/04/2010 - 19h15

Dólar aponta para baixo, mas mercado monitora governo

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A alta do juro no Brasil e o pedido de ajuda da Grécia devolveram o dólar para perto do patamar de 1,70 real em abril, reacendendo uma queda de braço entre o governo, que tenta frear a alta do real, e parte do mercado, que ainda vê perspectiva de queda da moeda norte-americana em maio.

O dólar terminou o mês cotado a 1,738 real, com queda de 2,41 por cento em abril. No ano, há ligeira baixa de 0,29 por cento.

O dólar passou boa parte desta sexta-feira em queda, renovando as mínimas em mais de três meses. Mas, no final do dia, o segundo leilão de compra de dólares feito pelo Banco Central sustentou a demanda pela moeda dos Estados Unidos, que fechou em alta de 0,35 por cento.

Foi a terceira vez que o BC atuou duplamente neste mês. A primeira, em 15 de abril, surpreendeu o mercado e foi interpretada como sinal de que a autoridade monetária não queria ver a taxa de câmbio abaixo de 1,75 real.

Até então, o BC realizava no máximo um leilão por dia desde maio do ano passado.

O Tesouro Nacional entrou em cena, afirmando na quinta-feira que vai acelerar as compras de moeda estrangeira.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou após evento em São Paulo que "o BC continua normalmente operando dentro da sua política de absorver excesso de liquidez na economia acumulando reservas".

"Portanto, o BC continua comprando dólares na medida em que exista uma entrada líquida de recursos no país. E como já fez no país, caso exista uma carência ou uma crise de liquidez, o BC pode também vender reservas se necessário. Agora, compete a outras autoridades olhar o assunto sob outros pontos de vista", acrescentou.

VALORIZAÇÃO ADICIONAL

Mas a alta de 0,75 ponto percentual da Selic e a recuperação do euro no mercado global mantiveram a pressão de baixa do dólar no Brasil. No mercado futuro, a posição vendida dos estrangeiros --uma aposta na queda da moeda norte-americana-- somava quase 5 bilhões de dólares na quinta-feira, segundo a BM&FBovespa.

O cenário é distinto do final de março, quando o mercado ainda estava cauteloso com os desdobramentos da crise grega e preferia evitar apostas muito contundentes. Muitos agentes apostavam que o dólar se manteria acima de 1,80 real.

Agora, muitas análises apontam que a tendência é de valorização do real.

"Nossa expectativa é de que a demanda por reais vai continuar bem intensa enquanto o ambiente global ficar positivo. Outro teste do patamar de 1,70 real parece provável nos próximos dias ou meses", escreveram analistas do RBC Capital Markets.

De acordo com Milton Wagner, diretor da consultoria Wagner Investimentos, quase todos os fatores pesam a favor da queda do dólar. Além da Selic e da percepção mais otimista sobre a Grécia --com potencial para valorizar um pouco mais o euro--, Wagner lembra a iminente valorização do iuan, que deve pesar contra o dólar no mercado internacional.

"Não vejo no curto prazo um fator que tenha a capacidade de reverter a tendência", disse, apostando, no entanto, que a intervenção do governo pode suavizar a valorização do real.

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