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02/05/2010 - 13h39

China diz que não irá permitir valorização acentuada do iuan

Por Zhou Xin e Rie Ishiguro

TASHKENT (Reuters) - A China reafirmou neste domingo sua resistência às pressões para permitir a alta acentuada do iuan, rejeitando argumentos segundo os quais sua política de câmbio seria a principal responsável pelo superávit comercial do país.

O ministro das Finanças Xie Xuren também deixou claro que a terceira maior economia do mundo vai manter sua postura de longa data de reformar seu mecanismo de câmbio, apesar de desavenças com os Estados Unidos.

"Vamos continuar a promover o aperfeiçoamento do mecanismo de formação da taxa de câmbio do iuan e vamos manter a taxa de câmbio do iuan basicamente estável, em nível razoável e equilibrado", disse Xie em coletiva de imprensa na capital do Uzbequistão.

"Não se pode citar o superávit comercial chinês como desculpa para pedir à China que permita a valorização do iuan", disse Xie, acrescentando que a moeda chinesa estável ajudou a economia global a reverter a pior recessão em muitas décadas.

A China vem sofrendo pressões crescentes para permitir que sua moeda, também conhecida como renminbi, comece a se fortalecer novamente, depois de estar virtualmente atrelada ao dólar desde meados de 2008, enquanto a economia busca superar a recessão global.

Foi uma coletiva de imprensa conjunta com ministros da área financeira de 12 outras economias asiáticas, incluindo Japão e Coreia do Sul, mas foi dominada por questões chinesas, com o banco central da China anunciando a revogação das exigências de reservas dos bancos apenas minutos antes de a coletiva começar.

Em contraste com vizinhos regionais como Índia, Malásia, Vietnã e Austrália, a China não recorreu a instrumentos mais contundentes, como a elevação dos custos de empréstimos, entre outras razões porque nutre dúvidas quanto à solidez da recuperação global.

Sublinhando a natureza técnica da iniciativa tomada pelo banco central no domingo, Xie disse que a China está comprometida em conservar a "política monetária apropriadamente flexível" que adotou no fim de 2008, quando a crise financeira internacional estava a todo vapor.

"Não acreditamos que os fundamentos de uma recuperação econômica estejam muito sólidos, e por essa razão decidimos continuar a implementar uma política fiscal pró-ativa e uma política monetária moderadamente flexível este ano", disse ele.

Xie e os ministros financeiros das 12 economias asiáticas fizeram a reunião nos bastidores das reuniões anuais do Banco de Desenvolvimento Asiático (ADB).

Voltando-se a questões domésticas, Xie disse que o crescimento econômico da China agora depende sobretudo da demanda interna, citando o fato de que o PIB chinês subiu 8,7 por cento em 2009, enquanto as exportações caíram mais de 16 por cento.

Ele também reafirmou que a China vai focar a reestruturação econômica neste ano e buscar um equilíbrio entre o crescimento e "a administração das expectativas inflacionárias."

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