UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

04/05/2010 - 20h41

Fazenda elevará projeção de crescimento no ano

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Fazenda vai elevar sua projeção de crescimento neste ano ano para algo entre 5,5 e 6,5 por cento e pode apertar a política fiscal se entender que a tendência é de um ritmo de atividade acelerado, afirmou nesta terça-feira o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa.

"A gente vislumbra um crescimento médio entre 5 e 6 por cento como sustentável. Se o crescimento ficar acima disso, você tem que tomar as medidas graduais para retornar a essa faixa", disse a jornalistas, acrescentando que se referia a medidas monetárias e fiscais.

A última projeção do ministério apontava para um crescimento de 5,2 por cento no ano. O valor exato da nova estimativa será divulgado até o próximo dia 20, quando o governo terá de editar um novo decreto de programação orçamentária.

De acordo com o secretário, para garantir a estabilidade econômica no médio e longo prazos, o governo poderá adotar uma "política fiscal mais apertada".

Segundo ele, a ideia não é elevar a meta para o superávit primário no ano, equivalente a 3,3 por cento do PIB.

Mas o secretário lembrou que esse alvo é flexível, à medida que é permitido o abatimento de despesas com investimentos. Ele destacou ainda que o governo tem condições de calibrar os gastos dos ministérios a cada dois meses, com a reprogramação de receitas e despesas.

Na primeira reprogramação do ano, foi promovido um bloqueio de mais de 20 bilhões de reais no Orçamento.

"Não estamos falando de nenhuma medida drástica, mas de ajustes pontuais na política", disse após participar de seminário em comissão da Câmara dos Deputados.

"Estamos estudando eventual mudança na execução da política fiscal para ajudar a administração da demanda agregada no curto prazo."

INFLAÇÃO

Durante o seminário, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmou que o comportamento dos preços nos primeiros meses do ano já indica que a economia sofre uma inflação de demanda.

Ao mostrar dados de inflação de bens comercializáveis e não comercializáveis, Mendes notou que "ambas crescem". "Então há um sinal, um sintoma de inflação de demanda no primeiro trimestre de 2010."

Barbosa reagiu com aparente irritação aos comentários, e citou argumentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de que a variação dos índices de preços estaria sendo influenciada principalmente por choques de oferta.

"Não há choque de demanda, mas choque de oferta", afirmou Barbosa durante o seminário.

Mais tarde, a jornalistas, ele ponderou que a demanda aquecida pode facilitar a propagação da inflação, mas não "puxa" as altas de preços.

(Reportagem de Isabel Versiani)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host