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04/05/2010 - 18h03

Mau humor na Europa causa maior alta do dólar em 3 meses

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A queda abrupta do euro e das bolsas de valores internacionais por causa da crise na Grécia provocou nesta terça-feira a maior alta do dólar em três meses frente ao real.

A moeda norte-americana subiu 1,67 por cento, para 1,761 real. Foi a maior alta percentual desde 4 de fevereiro.

Após uma queda de 0,35 por cento na segunda-feira, o dólar tem agora alta de 1,32 por cento em maio. No ano, a valorização é de 1,03 por cento.

Enquanto o mercado local fechava, o principal índice das ações brasileiras despencava 3,4 por cento. Nos Estados Unidos, as bolsas caíam mais de 2 por cento e as commodities perdiam 2,4 por cento.

O mau humor estava diretamente relacionado à situação da Grécia. Mesmo com um pacote de 110 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o país, acertado no domingo, o mercado demonstrou preocupação com a possibilidade de um contágio da crise sobre outras nações, como Espanha e Portugal.

O euro chegou a ser negociado abaixo de 1,30 dólar pela primeira vez em mais de um ano no fim da tarde.

A escalada do dólar inibiu as atuações mais contundentes do Banco Central no mercado à vista. A autoridade monetária fez apenas um leilão de compra de dólares, após ter realizado duas operações por dia nas últimas três sessões.

Ainda assim, profissionais de mercado evitavam considerar a alta da moeda norte-americana como o início de uma nova tendência. Para Moacir Marcos Júnior, operador da corretora Interbolsa, o que houve foi um movimento de realização de lucro.

Nas últimas sessões, com a perspectiva de ingresso de capitais no país, o dólar vinha sendo negociado nos menores níveis desde janeiro, próximo a 1,72 real.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, também viu a alta do dólar como "pontual". Segundo ele, os bancos ainda devem ter posições vendidas em moeda norte-americana, tornando interessante a eles a valorização do real.

O volume de operações no mercado à vista estava abaixo da média, de acordo com dados parciais da clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa. Pouco antes do fechamento, havia cerca de 1,7 bilhão de dólares em negócios registrados, ante média de 3 bilhões de dólares em abril.

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