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05/05/2010 - 20h20

Lucro da Vale cai 8,6% no 1o trimestre, para R$2,9 bilhões

Por Denise Luna e Brian Ellsworth

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O lucro líquido da Vale caiu 8,6 por cento no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, mas subiu 6,4 por cento ante o quarto trimestre de 2009, refletindo aumentos de preços do minério de ferro que elevaram a receita operacional.

O lucro de janeiro a março da maior produtora de minério de ferro do mundo foi de 2,9 bilhões de reais, contra lucro ajustado de 3,1 bilhões de reais no primeiro trimestre do ano passado.

A Vale informou que os resultados relativos ao primeiro trimestre do ano passado foram ajustados devido a mudanças nas regras contábeis.

No primeiro trimestre de 2010 a geração de caixa medida pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou 5,385 bilhões de reais, um acréscimo de 45,2 por cento frente ao quarto trimestre, principalmente devido ao aumento da receita operacional.

Já comparado ao primeiro trimestre de 2009, de 5,44 bilhões de reais o ebitda caiu 1,2 por cento.

OTIMISMO

A empresa confirmou a visão otimista com o mercado de minério, destacando mais uma vez a demanda da China. Para o segundo trimestre, a Vale contará com o aumento de preços do minério em quase 90 por cento para todos os seus clientes.

"A experiência recente demonstrou mais uma vez que a China pode crescer de forma acelerada baseada na expansão doméstica", ressaltou em nota.

As vendas da Vale para a Ásia representaram 50,3 por cento da receita total, enquanto as vendas para as Américas ficaram em 26,5 por cento, além de 19,5 por cento para Europa e 3,7 por cento para o resto do mundo.

"As vendas de minerais ferrosos representaram 67,5 por cento da receita operacional nesse trimestre, retornando aos níveis do início de 2006", informou a Vale.

Os minerais não ferrosos foram responsáveis por 22,9 por cento das vendas e os serviços de logística atingiram 5,7 por cento, seguidos pelo carvão, com 1,7 por cento, e outros produtos com 2,3 por cento.

CUSTOS CAEM

A receita operacional da Vale totalizou 13,029 bilhões de reais no primeiro trimestre, queda de 1,1 por cento em relação há um ano, quando a receita foi de 13,179 bilhões de reais.

A empresa conseguiu reduzir o custo dos produtos vendidos em 7,8 por cento contra o quarto trimestre do ano passado.

Segundo a empresa, a greve em duas operações de níquel no Canadá, a estação chuvosa no Hemisfério Sul e problemas operacionais nos terminais marítimos de minério de ferro contribuíram para prejudicar o desempenho dos embarques, reduzindo a receita.

Os gastos relativos à parada das operações totalizaram 376 milhões de reais, a maior parte decorrente da parada das duas operações de níquel no Canadá.

"A retomada das plantas de pelotização de São Luís e Fábrica e a retomada parcial das operações em Sudbury e Voisey Bay foram os principais fatores que contribuíram para redução de 41 milhões de reais nestes gastos", informou a companhia.

A dívida da Vale no dia 31 de março deste ano era de 23,6 bilhões de dólares, com prazo médio de nove anos e custo médio de 5,33 por cento ao ano, com dívida líquida de 12,4 bilhões de dólares.

PRODUÇÃO

A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre de 2010 atingiu 69 milhões de toneladas, ante 48,3 milhões de toneladas em igual período do ano passado. No final do trimestre começou a operação adicional de 20 milhões de toneladas métricas em Carajás, no Pará.

A empresa observou que devido ao período chuvoso no Brasil, "o ritmo de produção no primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco, sendo geralmente o trimestre mais fraco do ano".

A produção de pelotas subiu de 2,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2009 para 10,5 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano.

"Atualmente, estamos construindo duas novas plantas, Omã e Tubarão VIII, que adicionarão 16,5 Mtpa à nossa capacidade", informou a Vale, prevendo que a planta de pelotização de Omã irá operar no segundo semestre deste ano, com capacidade de produção de 9 milhões de toneladas de pelotas de redução direta.

A produção de níquel, por sua vez, teve queda de 49,2 por cento, devido às greves nas unidades fora do Brasil, reduzida para 33 milhões de toneladas contra as 65 milhões de toneladas produzidas no primeiro trimestre de 2009.

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