UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

06/05/2010 - 22h55

Lucro da MRV mais que dobra no 1o tri com mais vendas

Por Vivian Pereira

SÃO PAULO (Reuters) - O recorde de vendas apurado pela MRV Engenharia no primeiro trimestre do ano garantiu à construtora e incorporadora um salto de 136,4 por cento em seu lucro líquido, que alcançou 115,8 milhões de reais, melhor resultado para o período.

De janeiro a março, a empresa contabilizou vendas contratadas de 732,7 milhões de reais, cifra 70,4 por cento maior em relação ao vendido no mesmo intervalo do ano passado.

"O mercado está forte... Vimos recuperação total da demanda neste trimestre", disse o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa, em entrevista à Reuters.

A geração de caixa da companhia, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), cresceu 147,4 por cento no primeiro trimestre na comparação anual, para 149,6 milhões de reais.

A margem Ebitda, por sua vez, ficou em 26,3 por cento no período encerrado em março, alta de 4,1 pontos percentuais ano a ano. A companhia informou que mantém a projeção de margem Ebitda entre 25 e 28 por cento este ano.

Segundo o executivo, o forte volume de chuvas no início do ano influenciou o prazo de entrega de empreendimentos e, consequentemente, levou a uma queda no lucro e no Ebitda ante o último trimestre de 2009.

Já a receita líquida da MRV avançou 108,7 por cento ante o primeiro trimestre do ano passado, totalizando 568,5 milhões de reais.

Para este ano, Corrêa reafirmou as metas de vendas contratadas, que devem ficar entre 3,7 bilhões e 4,3 bilhões de reais.

Os lançamentos, segundo ele, devem atingir "pelo menos 4,5 bilhões de reais" em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2010, considerando o ponto médio da estimativa de vendas para o ano.

Do total a ser lançado, 85 por cento ficará enquadrado no programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida". No primeiro trimestre deste ano, os lançamentos somaram 606,1 milhões de reais.

Para cumprir a meta de lançamentos, Corrêa disse que será necessário ampliar o atual banco de terrenos da empresa, que contava com potencial para lançamentos de 11 bilhões de reais ao final de março.

"Não temos certeza se isso vai consumir caixa. Geramos caixa com operações recentes", afirmou, referindo-se a recebíveis e à emissão de 518 milhões de reais em debêntures.

A disponibilidade de caixa da MRV no final do primeiro trimestre era de 1,226 bilhão de reais, aumento de 71,8 por cento em relação a dezembro.

Questionado sobre possíveis movimentos de aquisição ou associação a outros representantes do setor --a exemplo da PDG Realty, que na terça-feira adquiriu a Agre--, Corrêa descartou qualquer forma de crescimento que não seja orgânica.

"Nossa escolha é por crescer organicamente. Estamos vendo enorme oportunidade para baixa renda no mercado e alocamos nossos esforços nesse objetivo, sem precisar crescer de outra forma."

PARCERIA COM A CAIXA

No primeiro trimestre, a MRV implantou o projeto Correspondente Imobiliário junto à Caixa Econômica Federal, com o objetivo de acelerar a conclusão dos processos de financiamento.

O projeto, ainda em fase de testes, permite que a própria construtora cadastre e realize o processo de aprovação de crédito de potenciais clientes. À Caixa, cabe a conferência de dados e a aprovação do financiamento.

"O maior impacto (do projeto) é na velocidade de assinatura do contrato, contribuindo para o fluxo de caixa da empresa. É uma resposta no sentido de conseguir elevar produtividade e acelerar o número de contratos", disse o vice-presidente da MRV.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host