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12/05/2010 - 15h22

Com dólar alto, exportador reforça entrada de moeda

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A entrada de moeda estrangeira no Brasil superou a saída em 3,711 bilhões de dólares na primeira semana de maio, mesmo com o ambiente de forte volatilidade no mercado internacional por causa da Grécia.

O interesse dos exportadores em aproveitar a subida do dólar a quase 1,90 real e converter a receita em moeda estrangeira a uma taxa mais favorável foi um dos principais responsáveis pelo resultado, que em apenas cinco dias úteis bateu o superávit de todo o mês de abril.

Os dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira mostram a entrada líquida de 2,632 bilhões de dólares no segmento comercial.

Em março, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) estimava em cerca de 20 bilhões de dólares o volume de dólares mantido por exportadores no exterior. Até 2008, eles eram obrigados pelo Banco Central a trazer ao Brasil as receitas obtidas com as vendas para fora do país.

No setor financeiro também houve resultado positivo na primeira semana de maio, com saldo de 1,078 bilhão de dólares.

Mais da metade do superávit total da semana passada veio em apenas um dia --justamente a quinta-feira em que o dólar disparou mais de 5 por cento durante os negócios, para quase 1,90 real, com o forte nervosismo no mercado internacional por causa da falta de confiança em alguns países da zona do euro.

Além do interesse dos exportadores, Marcelo Oliveira, operador de câmbio da corretora BGC Liquidez, vê outra razão para o ingresso de recursos no país durante a turbulência.

"Nesse momento de estresse... o Brasil tem se mostrado uma boa alternativa para internar o dinheiro, ainda mais com política de juros altos (em relação às outras economias) e com a expectativa de subir mais ainda", disse.

A taxa básica de juros no Brasil é de 9,5 por cento ao ano, frente a 1 por cento na zona do euro e quase zero nos EUA.

Durante a disparada do dólar na semana passada, operadores em todo o mundo comentavam que os investidores se desfaziam de ativos considerados arriscados para se proteger com papéis mais seguros.

Os dados desta quarta-feira mostram que, no mercado de câmbio brasileiro, o movimento ficou restrito aos contratos futuros e de cupom cambial, em que os estrangeiros compraram pouco mais de 8 bilhões de dólares em uma semana, invertendo a aposta sobre a moeda norte-americana.

O BC também divulgou a incorporação de 3,383 bilhões de dólares às reservas internacionais na semana passada por meio da compra da moeda estrangeira no mercado.

A maior parte, 1,453 bilhão de dólares, foi liquidada na segunda-feira. Refere-se, portanto, às compras realizadas na quinta-feira da semana anterior, quando o Banco Central fez dois leilões no mercado à vista. Na ocasião, o dólar era cotado perto de 1,73 real, nas mínimas desde janeiro.

Com as compras, as reservas internacionais se aproximam de 250 bilhões de dólares, maior patamar da história.

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