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12/05/2010 - 12h12

PIB da zona do euro mostra fragilidade no 1o trimestre

Por Brian Love

PARIS, 12 de maio (Reuters) - A economia da zona do euro começou 2010 mostrando fraqueza devido ao crescimento irrisório das potências Alemanha e França, e esforços de redução de dívida nos Estados mais fracos da região podem abater as esperanças de uma expansão mais acelerada nos próximos trimestres.

Economistas preveem um segundo trimestre melhor, em que a atividade perdida com o mau tempo no início do ano será recuperada.

Porém, eles também dizem que as medidas de austeridade sendo preparadas por governos para encolher suas dívidas podem contribuir para a fragilidade do crescimento, especialmente na Espanha --que anunciou 15 bilhões de euros em novos cortes de gastos por dois anos--, na Grécia e em Portugal.

A expansão em toda a zona do euro foi de 0,2 por cento no período entre janeiro e março contra os três meses imediatamente anteriores, após a estagnação no trimestre final de 2009.

O Produto Interno Bruto (PIB) alemão também cresceu 0,2 por cento, marcando o quarto trimestre consecutivo acima de zero. A leitura ficou acima do previsto, mas abaixo do ritmo de recuperação dos Estados Unidos, para não mencionar a força da China e de outras economias emergentes.

A França, segunda maior economia da zona do euro depois da Alemanha, registrou expansão de 0,1 por cento, abaixo das expectativas, e o crescimento no quarto trimestre de 2009 foi reduzido para 0,5 por cento, de leitura preliminar de 0,6 por cento.

"A Alemanha e a zona do euro devem continuar ficando atrás da economia global e do que nós estamos vendo nos Estados Unidos", disse Jörg Zeuner, economista do banco VP.

Em tom mais positivo para a Alemanha, senão para toda a região, Jörg Krämer, do Commerzbank, disse que a proeza das exportações alemãs deixa o país bem posicionado para ultrapassar os colegas da zona do euro, devido à retomada do comércio global.

PERIGO NOS PERIFÉRICOS

A maioria dos relatórios sobre PIB é preliminar e os dados serão detalhados nos próximos dias, mas a leitura inicial mais completa da França deu indícios sobre algumas tendências: o gasto do consumidor, tradicionalmente indutor da atividade econômica, ficou estável no primeiro trimestre, enquanto a retomada do comércio global claramente ajudou, elevando as exportações em 3,9 por cento frente ao último trimestre de 2009.

A Itália divulgou aumento de 0,5 por cento no PIB entre janeiro e março ante o último trimestre de 2009, quando o PIB caiu 0,1 por cento.

O cenário é misto para as economias mais fracas da zona do euro, que estão sob pressão para implementar programas de austeridade e controlar suas dívidas.

A Espanha, responsável por mais de 10 por cento do PIB da zona do euro e a maior economia entre as que foram fortemente abatidas pela depressão econômica global entre 2007 e 2009, registrou crescimento de 0,1 por cento --finalmente saindo da recessão depois de quase dois anos de contração.

Após a divulgação dos números, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, cujo país endividado foi recentemente atingido por um forte aumento nos custos de refinanciamento nos mercados financeiros, anunciou mais medidas de austeridade para colocar as finanças públicas em ordem.

A Grécia, fonte da crise de dívida que enfraquece o euro, registrou queda de 0,8 por cento no PIB entre janeiro e março. Apesar de ser ruim, o declínio foi muito menos severo que a queda de 1,4 por cento prevista por analistas para um país que agora depende de ajuda externa, a primeira na história da união monetária da Europa.

Portugal, que luta para desmentir a percepção do mercado de que suas dificuldades de controle de dívida só perdem para a Grécia, anunciou crescimento surpreendente, de 1 por cento.

O PIB total da zona do euro contraiu-se mais de 4 por cento no ano passado, bem mais que a queda de 2,4 por cento do PIB dos Estados Unidos. Na semana passada, a Comissão Europeia previu uma recuperação econômica que elevaria o PIB em apenas 0,9 por cento em 2010 e em 1,5 por cento em 2011, comparado ao crescimento previsto de 2,8 e 2,5 por cento dos EUA.

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