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15/05/2010 - 17h16

Iuan mais forte seria ruim para EUA, diz Lin, do Banco Mundial

Por James B. Kelleher

CHICAGO (Reuters) - O economista-chefe do Banco Mundial declarou neste sábado que se a China alterasse o valor de sua moeda isso traria mais prejuízos do que benefícios à economia dos Estados Unidos.

Falando a estudantes sobre o papel da China na futura economia mundial, Justin Yifu Lin disse estarem errados os críticos que alegam que uma moeda chinesa intencionalmente subvalorizada seja um empecilho para o crescimento dos EUA.

Ele admitiu que se a China parasse de vender o renminbi (ou iuan, a moeda chinesa) e de comprar divisas estrangeira -- a política que, segundo os críticos, mantém a moeda do país artificialmente depreciada --, as exportações chinesas se tornariam mais caras.

Como a maioria dos produtos exportados pela China para os EUA se constitui de mercadorias cujo valor envolve mão-de-obra intensiva e que as indústrias norte-americanas pararam de fabricar anos atrás, os EUA somente passariam a ter duas opções, segundo Lin: comprar os produtos de um outro país ou dos chineses.

De qualquer modo, disse o economista, o custo dessas mercadorias iria aumentar para os consumidores dos EUA e isso levaria à redução tanto dos gastos com consumo como da criação de empregos no país.

Ele argumentou que os artigos produzidos em outras partes do mundo em desenvolvimento são mais caros do que os chineses porque, se não fossem, os EUA já estariam comprando de outras nações.

Muitos economistas --incluindo alguns do Fundo Monetário Internacional-- acham que a valorização da moeda é apenas uma entre várias medidas que a China deveria tomar para reduzir suas enormes reservas.

A China também precisaria adotar políticas para estimular o consumo doméstico, tais como a melhoria do atendimento à saúde e outros serviços sociais, para que as famílias economizem menos e gastem mais.

Lin declarou não se preocupar com a possibilidade de a economia da China, que se prevê terá um crescimento de dois dígitos este ano, estar sob qualquer perigo de superaquecimento.

"O governo chinês em geral realiza reuniões semanais, reuniões mensais, acompanhando todos os indicadores da macroeconomia. No passado, nós vimos que o governo chinês é capaz de fazer muito bem aquele tipo de ajuste fino."

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