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25/05/2010 - 17h35

Dólar alivia alta no fim após superar R$1,90 por Europa

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A recuperação do euro no fim da tarde e a atuação de exportadores na venda de dólares diminuíram a alta da moeda norte-americana nesta terça-feira, após a taxa de câmbio ter superado 1,90 real pela manhã

O dólar terminou a sessão cotado a 1,868 real, em alta de 0,21 por cento. Na máxima, a divisa atingiu 1,904 real, maior nível desde 2 de setembro.

A moeda agora acumula elevação de 7,48 por cento em maio. Em 2010, a valorização do dólar é de 7,17 por cento.

No começo do dia, pesou mais a preocupação internacional com um contágio da crise da dívida na Grécia sobre o setor bancário. A taxa Libor em dólar de três meses, usada para empréstimos interbancários, subiu ao maior nível desde julho, indicando condições mais apertadas de liquidez.

O euro chegou a cair 1 por cento. O principal índice das ações europeias perdeu 2,40 por cento, fechando no menor nível desde setembro, e as bolsa brasileira despencava mais de 2 por cento, aos 58 mil pontos.

Mas, à tarde, o mercado internacional de câmbio reduziu a intensidade das variações. O euro caía 0,3 por cento e moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano perdiam menos de 1 por cento para o dólar.

"O mercado está estressado em função da Europa. Ainda não está totalmente confortável", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença.

O aumento da oferta de dólares por parte de exportadores, interessados em aproveitar a taxa de câmbio mais alta para trazer ao Brasil receitas mantidas no exterior, contribuiu para amortecer a valorização do dólar.

"O fluxo (de dólares em operações comerciais) foi positivo. No começo do dia foi mais forte", disse um operador de câmbio de um banco nacional, que não quis ser citado.

Segundo dados preliminares da clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa, o volume no mercado à vista perto do fechamento era de aproximadamente 4 bilhões de dólares.

O comportamento dos exportadores é o que tem mantido o fluxo de capitais ao país em terreno positivo em maio. De acordo com dados do Banco Central referentes ao dia 21, o país tem saldo positivo de 1,522 bilhão de dólares no mês.

No segmento comercial, são 2,804 bilhões de dólares em entradas líquidas. Em operações financeiras, afetadas pela crise na Europa e pela busca de aplicações mais seguras, há déficit de 1,282 bilhão de dólares.

Outros números, no entanto, realçam a maior vulnerabilidade do real a crises externas. Segundo o banco de investimento Goldman Sachs, o país depende mais do financiamento estrangeiro por ter um déficit em conta corrente cada vez maior. Em abril, o déficit foi de 4,583 bilhões de dólares, o maior para o mês desde o início da série histórica.

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