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26/05/2010 - 09h42

OCDE eleva previsão de crescimento mundial

Por Brian Love

PARIS, 26 de maio (Reuters) - A economia global está se recuperando da recessão com mais força que o inicialmente previsto, com a Ásia liderando o caminho, mas há o grande risco de as dívidas em países desenvolvidos e do possível superaquecimento em países como a China, avaliou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira.

Em relatório semestral, a organização com sede em Paris elevou o prognóstico para o crescimento mundial neste ano a 4,6 por cento e para 2011 a 4,5 por cento. O cenário anterior apontava expansão de 3,4 por cento em 2010 e de 3,7 por cento em 2011, após contração de 0,9 por cento em 2009.

A OCDE também foi muito mais otimista sobre o mercado de trabalho global, dizendo que o pico do desemprego em seus 31 países-membros pode ter sido de cerca de 8,5 por cento --muito menos que a previsão anterior, de quase 10 por cento.

As novas estimativas são mais altas que a taxa média de crescimento anual na década antes do início da crise financeira em 2007 --uma média de 3,7 por cento por ano entre 1997 e 2006, de acordo com dados da OCDE--, mas a organização disse que a melhora é desigual e sujeita a riscos.

A OCDE elevou sua projeção para a expansão nos Estados Unidos em 2010 e 2011 para 3,2 por cento, ante previsão anterior feita em novembro de 2,5 e 2,8 por cento, respectivamente.

A entidade estimou um crescimento japonês de 3 por cento em 2010 e de 2 por cento em 2011, números elevados ante as estimativas de novembro de, respectivamente, 1,8 e 2 por cento.

A zona do euro ficará para trás, segundo a OCDE, com expansão de 1,2 por cento e 1,8 por cento neste ano e no próximo, mesmo que as novas projeções sejam maiores que os crescimentos de 0,9 e 1,7 por cento previstos em novembro.

O maior desafio que as economias avançadas enfrentam agora é reduzir as dívidas pós-recessão e conter a instabilidade do mercado financeiro que se espalhou a partir da Europa recentemente.

Isso requer medidas de austeridade fiscal que são vitais, mas que devem prejudicar o crescimento econômico. Também é necessário desacostumar as economias das taxas de juros baixíssimas e dos auxílios estatais estabelecidos durante a crise.

"O desafio de política econômica global, para amenizar um pouco, é complicado", disse o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, em entrevista à Reuters.

CRESCIMENTO E QUEDA

A OCDE destacou uma ameaça bem diferente a economias emergentes, como China, Índia e Brasil, dizendo: "Um cenário de ciclos de crescimento e queda não pode ser descartado, exigindo um aperto muito maior de política monetária em alguns países fora da OCDE, como a China e a Índia, para combater pressões inflacionárias e reduzir o risco de bolhas de ativos".

Na China, a OCDE prevê crescimento econômico de 11,1 por cento neste ano e de 9,7 por cento em 2011, dizendo que há o perigo de que as medidas para esfriar o mercado imobiliário e controlar o preço de terrenos não eliminarão o risco de superaquecimento. Em novembro, a OCDE previa expansão chinesa de 10,2 por cento em 2010 e de 9,3 por cento em 2011.

O relatório da organização também espera que o comércio global cresça 10,6 por cento em 2010 e 8,4 por cento em 2011, após queda de 11 por cento em 2009.

"O forte crescimento nas economias dos mercados emergentes está contribuindo de forma significativa", disse a OCDE. A maioria dos 31 países-membros da organização é de economias desenvolvidas.

"O efeito do crescimento na Ásia fora da OCDE pode ser mais forte que o esperado, especialmente sobre os Estados Unidos e o Japão. Nesse ponto de vista, o ambiente em geral é relativamente auspicioso."

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