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01/06/2010 - 17h28

Gerdau decide até fim do mês entrada em consórcio de Belo Monte

SÃO PAULO, 1o de junho (Reuters) - A Gerdau vai decidir até o final de junho se participará do consórcio vencedor do leilão de concessão da usina de Belo Monte, mas a siderúrgica também estuda a possibilidade de participar de outros leilões de geração de energia que deverão ocorrer ainda em 2010.

Segundo o diretor de meio-ambiente e energia da companhia, Érico Sommer, ainda não existem planos de construir uma unidade na região da usina, caso a Gerdau entre de fato no grupo.

"Temos interesse (em ser autoprodutor), estamos colhendo informações, mas ainda não temos uma decisão formal", disse Sommer em evento em São Paulo sobre energia no mercado livre, nesta terça-feira.

"Não existe decisão de ir ou não para a região de Belo Monte, é uma questão mais de longo prazo. No curto prazo não temos nenhum projeto."

De acordo com Sommer, a Gerdau tem uma política de sempre estudar alternativas no segmento de energia. "É uma política de qualquer grande empresa. Sempre estamos olhando a possibilidade de participar de um investimento (em energia)", disse o executivo, que também é presidente do conselho diretor da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

De acordo com as regras do leilão de Belo Monte, 10 por cento da energia produzida seria destinada a autoprodutores ou ao mercado livre. "Estamos em processo de discussão sobre o quanto teríamos", disse Sommer.

Além da Gerdau, a Braskem também confirmou interesse em participar do consórcio Norte Energia. Em 14 de maio, o presidente da petroquímica, Bernardo Gradin, afirmou que, além da própria Braskem, outras duas empresas foram procuradas pelo grupo.

O consórcio Norte Energia, que venceu em 20 de abril o leilão da usina de Belo Monte ao oferecer um deságio de 6 por cento em relação à tarifa-teto de 83 reais por megawatt-hora estipulada pelo governo, tinha como participantes a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), estatal; Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Mendes Júnior Trading Engenharia, J. Malucelli Construtora de Obras, Contern Participações e Comércio, Cetenco Engenharia, Serveng-Civilsan e Gaia Energia e Participações.

Apesar de rumores sobre a saída de construtoras do grupo, até o momento a única mudança confirmada é na participação estatal no projeto, visto que a fatia da Chesf, anteriormente de 49,98 por cento, foi dividida também entre a Eletronorte e a própria Eletrobras. Chesf e Eletrobras terão 15 por cento do consórcio, enquanto a Eletronorte terá os demais 19,9 por cento.

AUTOPRODUÇÃO

Falando como membro da Abrace e não como diretor da Gerdau, Sommer afirmou ainda que "não é normal" para uma indústria investir em geração de energia.

"Na maior parte dos países a responsabilidade pela disponibilização de energia é do governo, de estabelecimento de políticas que permitam a disponibilidade de energia... Ter energia, ter boa qualidade a custo competitivo", disse o executivo.

De acordo com ele, a busca pela autoprodução significa que a companhia não consegue energia barata, o que faz com que novas hipóteses comecem a ser discutidas. "Não é normal investir em geração de energia, porque o negócio dela (da indústria) é alumínio, aço, papel."

(Por Carolina Marcondes; Edição de Alberto Alerigi Jr.)

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