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01/06/2010 - 10h56

Vale diz que preço para 3o tri já foi levado a clientes

Por Rujun Shen e David Stanway

XANGAI (Reuters) - A Vale já fechou os contratos de preço para o minério de ferro no terceiro trimestre deste ano e apresentou a seus clientes, afirmou na terça-feira o diretor de Ferrosos da mineradora, José Carlos Martins.

Em uma entrevista à imprensa em Xangai, Martins recusou-se a dar mais detalhes sobre os preços oferecidos para o período entre julho e setembro, mas afirmou que eles representam uma média entre março e maio.

Entretanto, ele demonstrou preocupação de que as siderúrgicas chinesas possam descumprir contratos de compra de minério de ferro se os preços da commodity no mercado à vista caírem abaixo dos valores definidos trimestralmente.

"É uma possibilidade, mas espero que elas não façam isso porque temos contratos, temos um compromisso de longo prazo, e um compromisso de longo prazo tem de valer para ambos os lados", afirmou o executivo a jornalistas.

A agência de notícias Interfax publicou recentemente que a Vale estava pedindo um aumento de 23 por cento no preço do minério de ferro para o terceiro trimestre, elevando o valor da commodity para 160 dólares a tonelada ante um preço atual no mercado a vista de 150 dólares.

No fim de semana, o jornal O Estado de S.Paulo informou que a Vale vai aumentar em julho o preço do minério de ferro em cerca de 35 por cento, para até 145 dólares por tonelada, devido à adoção do sistema de precificação trimestral.

A empresa não comentou nenhuma das notícias.

As siderúrgicas chinesas foram acusadas de descumprir contratos anuais no segundo semestre de 2008, quando os preços no mercado à vista recuaram abaixo dos valores definidos em contratos benchmark, pela primeira vez, como resultado da crise financeira internacional.

O fracasso na manutenção dos contratos foi decorrente do colapso no sistema anual de definição de preços do minério de ferro, pelo qual as siderúrgicas negociam um preço válido para todo o ano com as mineradoras, substituído por um ajuste trimestral de acordo com o mercado.

MERCADO DINÂMICO

A Vale já substituiu o preço referencial anual por um mecanismo com base em índices em que os preços mudam a cada três meses, provocando reclamações de siderúrgicas chinesas sobre o controle da indústria exercido por Vale e pelas australianas Rio Tinto e BHP Billiton, que controlam juntas cerca de três quartos do mercado internacional global de minério de ferro.

Mas o presidente da Vale, Roger Agnelli, falando na mesma conferência, insistiu que a oferta e demanda são no final os responsáveis pela alta do preço.

"A Vale não está determinando os preços --quem está determinando os preços é o mercado", disse ele, acrescentando que o método de benchmark foi enfraquecido pelas mudanças no mercado.

"O mercado é tão dinâmico que ninguém foi capaz de continuar com o sistema de benchmark", complementou.

Martins explicou que os clientes têm liberdade para escolher o índice que preferem usar no sistema de preços trimestrais.

Ele afirmou que no longo prazo os preços do minério de ferro deverão ser determinados por forças do mercado de oferta e demanda, como acontece com outras commodities.

"Ninguém discute preços da soja, alumínio e cobre --se você quer comprar, você compra. No longo prazo, os preços do minério de ferro serão fixados da mesma maneira".

Os embarques de minério para a China devem permanecer em cerca de 140 milhões de toneladas neste ano, o mesmo que em 2009, completou Martins, afirmando que a empresa está agora trabalhando no restabelecimento da produção para sua capacidade total de 300 milhões de toneladas.

"De fato, durante este ano muitos outros mercados estão crescendo mais rápido (que a China)", disse ele, explicando que compradores de outros mercados estão competindo com os clientes chineses pela oferta.

As importações chinesas de minério de ferro saltaram com força no ano passado, mesmo depois de a crise econômica global ter afetado os mercados de aço na Europa, Japão e Estados Unidos, subindo 41,57 por cento, para 627,78 milhões de toneladas.

As importações somente do Brasil saltaram 22 por cento nos primeiros quatro meses de 2010, alcançando 42,9 milhões de toneladas --um quinto do total da China.

"Na Vale, rezamos pela China todos os dias", disse Agnelli.

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