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11/06/2010 - 13h54

Mais da metade da produção da Cosan está protegida em hedge

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Cosan (CSAN3), maior empresa sucroalcooleira do mundo, aumentou o volume de açúcar protegido em mercados futuros em meio à expectativa de uma produção abundante nos dois principais produtores globais, o Brasil e a Índia, em 2010/11, disse nesta sexta-feira o diretor-presidente Marcos Lutz.

Mas ele ressaltou que, com o aumento do consumo global de açúcar na próxima temporada (2011/12) e o crescimento da demanda por etanol no Brasil, simultaneamente a uma produção de cana brasileira "não aumentando muito", o quadro ficará mais apertado.

Em 31 de março, fechamento do ano fiscal da companhia, a Cosan tinha hedge em futuros para um volume de 1,7 milhão de toneladas de açúcar para o ano fiscal 2010/2011, com preço médio de 20,3 centavos de dólar por libra-peso, e para outras 512 mil toneladas para 2011/2012, a um preço médio de 18 centavos de dólar por libra-peso.

Mas esse volume protegido aumentou, destacou Lutz, em teleconferência promovida pela empresa para comentar os resultados.

"A gente tenta fazer algo próximo disso... ficar de meio a um ano de produção fixada. Esse número continua evoluindo, porque a gente vem percebendo a grande produção brasileira e indiana para acontecer este ano", declarou Lutz, sem dar detalhes do volume atual sob hedge.

O volume com hedge em mercado futuro para as duas safras (2010/11 e 2011/12) equivalia no final do ano fiscal da empresa a mais da metade do que a Cosan produziu em 2009/10 (3,5 milhões de toneladas).

"A gente tende a acelerar (o hedge) um pouco mais quando a gente vê um mercado mais solto em termos de oferta e demanda. Quando o mercado fica mais apertado, a gente tende a ficar menos avançado e fixar menos", declarou ele.

A se confirmar essa estratégia, o hedge na commodity diminuiria em 2011/12, com o mercado mais apertado.

"O que vai acontecer na nossa visão é que a outra safra vai ser parecida com o tamanho desta safra, não vemos crescimentos, porque os canaviais paulistas estão menos renovados, e o mercado acho que não contabiliza isso ainda", opinou.

Segundo ele, na próxima safra (11/12) o consumo global de açúcar aumentará mais 3 milhões de toneladas, o Brasil elevará em até 3 bilhões de litros o consumo de etanol, "e a safra brasileira não aumenta muito."

Nesta safra (10/11), a Cosan observa uma "combinação de estoques muito baixos mundo afora, mas por outro lado grande produção acontecendo na Índia que constantemente vem sendo revisada para cima", além de uma safra recorde no Brasil.

"No final deste ano, vai começar a ter uma visibilidade mais forte de curva de oferta e demanda mais apertada", ressaltou o diretor-presidente.

Mais açúcar

A Cosan prevê uma safra 10/11 mais açucareira, afirmou Lutz, ao comentar os dados do processamento, esperado em até 62 milhões de toneladas de cana, mais de 10 milhões a mais em relação a 09/10.

"Fizemos investimentos que aumentam a capacidade em cerca de 400 mil toneladas/ano (em quatro unidades), são investimentos só na fábrica de açúcar, e não na capacidade inteira da unidade", afirmou Lutz, lembrando que a companhia aumentou a produção de refinado após a incorporação da NovaAmérica.

A empresa fechou a safra 2009/10 com produção de 3,5 milhões de toneladas de açúcar e de 1,8 bilhão de litros de etanol.

A Cosan, que também comercializa produtos de terceiros e que busca ampliar serviços como trading, prevê vendas de açúcar entre 4,7 e 5,1 milhões de toneladas em 10/11, enquanto espera comercializar entre 2 e 2,2 bilhões de litros de etanol na nova safra.

SHELL E DIVIDENDOS

A companhia prevê receita líquida entre 16,5 e 18,5 bilhões de reais na nova temporada (10/11), ante 15,3 bilhões em (09/10), mas essa previsão sem considerar ainda a joint venture com a Shell, cujo processo de due diligence está perto do final.

"Deve ser finalizado nos próximos dias... com isso, nós poderemos tocar a finalização da documentação para assinatura do acordo."

A Cosan também proporá à Assembléia Geral Ordinária distribuição de dividendos de 200 milhões de reais com base nos resultados de 2009/10, que se aprovados serão distribuídos nos próximos meses.

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