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11/06/2010 - 11h14

Santander vê como difícil crédito externo à Espanha

Por Jesús Aguado

SANTANDER, Espanha (Reuters) - O presidente do Santander, Emilio Botin, disse nesta sexta-feira que a economia espanhola e seu sistema financeiro estão enfrentando "sérias dificuldades" no acesso a financiamento externo e considera como fundamental a adoção de medidas de ajuste profundo para reativar a atividade econômica.

"É claro que a economia espanhola passa por sérias dificuldades que se refletem, do ponto de vista financeiro, sobre os problemas de acesso ao financiamento externo, em um aumento dos spreads sobre a dívida e uma queda no mercado acionário", reconheceu Botin durante assembleia de acionistas.

Ele reconheceu que, no caso da Espanha, estes problemas são agravados pela elevada taxa de desemprego (perto de 20 por cento) e perda de competitividade da economia.

No entanto, o presidente-executivo do Santander considerou acertadas, embora não suficientes, as recentes medidas tomadas pelo governo espanhol para reduzir o déficit e cumprir os compromissos assumidos com a Europa.

"Eu acho que é essencial agir de modo que a economia possa crescer e, assim, reduzir o desemprego e ajudar a equilibrar as contas públicas", acrescentou.

Bancos espanhóis menores estão perdendo acesso aos mercados de crédito devido às preocupações de que a Espanha possa estar a caminho de uma crise parecida com a grega e temores de que as perdas imobiliárias possam sair de controle.

A bolha imobiliária espanhola deixou os bancos no país com cerca de 300 bilhões de euros em dívida por incorporadores.

Atualmente, os bancos de poupança estão engajados no processo de reestruturação, após a queda da atividade bancária, a deterioração do patrimônio imobiliário e o aumento da inadimplência.

REPETIR 2009

O Santander disse ainda esperar que seu lucro em 2010 seja similar ao forte desempenho do ano passado, acrescentando que as incertezas do mercado ligadas à economia espanhola estão superadas.

Botin disse que o Santander possui uma boa estrutura de dívida, com uma média de maturidade de 4,5 anos, e acrescentou que o banco levantou 18 bilhões de euros (22 bilhões de dólares) através de novas emissões até o momento em 2010, apesar das turbulências do mercado.

"Essa estrutura de fundos nos suporta para o que pode acontecer no futuro e é favoravelmente comparável à média de nossos concorrentes", disse ele.

As ações do Santander acumulam perdas de 40 por cento este ano, uma vez que os investidores as usam como reflexo das perspectivas espanholas. "Esse desempenho foi sem dúvida afetado pelas incertezas sobre a economia e o risco na Espanha que, em meu critério, ganhou proporções exageradas"., acrescentou Botin.

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