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16/06/2010 - 13h34

Crise europeia, BB e Petrobras atropelam IPO de Casa de Pedra

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A duas semanas do fim do primeiro semestre, a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da área de mineração da CSN ficará para depois, em consequência da crise fiscal europeia e das enormes emissões de ações gestadas por Petrobras e Banco do Brasil.

Esperada pelo mercado desde pelo menos 2007, a CSN vinha estimando desde o final do ano passado que o IPO de sua unidade de mineração, cujo principal ativo é a mina de minério de ferro Casa de Pedra, em Minas Gerais, aconteceria até o final de junho deste ano.

Mas a agenda prevista para a oferta de ações de um dos principais ativos de minério de ferro do mundo acabou coincidindo com a crise de dívida da Grécia, que ameaçou asfixiar a zona do euro e minou o apetite de investidores por risco.

No mercado doméstico, a Petrobras prepara uma capitalização de até 25 bilhões de dólares e o BB emitirá cerca de 10 bilhões de reais em novas ações para fortalecer sua estrutura de capital.

Das sete ofertas iniciais de ações já colocadas no mercado por empresas brasileiras neste ano, entre elas a companhia de estaleiros de Eike Batista OSX, apenas as operações de Mills Engenharia e Ecorodovias ficaram dentro da faixa de preço estimada por seus coordenadores. As outras cinco ficaram aquém do previsto inicialmente.

Os seis primeiros meses do ano ainda contaram com as desistências de IPO da GRV Solutions e da International Meal, controladora das redes de restaurantes Frango Assado e Viena.

A CSN, enquanto isso, que vinha se mostrando convicta em fazer o IPO de mineração até o final do atual semestre, já demonstrou hesitação durante a divulgação dos resultados de janeiro a março.

Na ocasião, em maio, o vice-presidente financeiro da CSN, Paulo Penido, afirmou que apesar de não ver a crise europeia como um risco para o IPO de mineração, o objetivo da empresa era uma operação "bem feita" e que, por isso, é "óbvio que o bom senso prevalece".

"A última declaração que ouvi é que eles não tem pressa, bem diferente do que ouvimos no começo do ano. O que dá para entender é que eles vão esperar o mercado melhorar (...) Talvez fique para o final deste ano ou ano no que vem", disse o analista Pedro Galdi, da corretora SLW.

"O problema é que você tem duas operações grandes aí (Petrobras e BB). No caso da CSN, eles podem esperar, o mercado do minério de ferro continua positivo", acrescentou. "Minério de ferro de boa qualidade no mundo está acabando... Quem tem essas reservas de boa qualidade tem renda garantida por muito tempo."

Procurada pela Reuters, a CSN preferiu não comentar o assunto.

NEGOCIAÇÃO ASIÁTICA

Nos planos da CSN revelados em março por seu presidente-executivo, Benjamin Steinbruch, a oferta de ações de mineração seria a primeira de uma série de lançamentos em bolsa das operações do grupo.

Em mineração, a empresa tentaria ampliar o valor do negócio com a fusão de Casa de Pedra com a Namisa, produtora de minério de ferro que teve 40 por cento de participação vendida pela CSN a um consórcio asiático por 3,1 bilhões de dólares em 2008.

"Eles estavam negociando com os sócios japoneses e coreanos --Itochu, Nippon Steel, JFE Steel, Posco, Sumitomo Metal Industries, Kobe Steel e Nisshin Steel--, mas não dá para afirmar como isso será resolvido", destacou o analista Leonardo Alves, da corretora Link.

"Não se vê nenhum movimento de banco de investimento em relação a isso (IPO de Casa de Pedra). Acho que a oferta não está caminhando também por conta da negociação com japoneses e coreanos", disse Alves.

O analista da Link calcula que um IPO da área de mineração da CSN poderia implicar na atribuição de um valor de mercado de 20 bilhões a 25 bilhões de reais à Casa de Pedra, "um pouco menos da metade do valor total da CSN" atualmente.

"No futuro, estima-se que a operação de mineração representará cerca de 50 por cento das receitas da CSN", disse Alves, citando projeto de expansão da capacidade de produção de minério de ferro da Casa de Pedra, de 40 milhões para 70 milhões de toneladas anuais no final de 2011.

Em março, Steinbruch disse que se não houvesse acordo com os sócios asiáticos, o IPO de mineração não incluiria a Namisa.

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