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01/07/2010 - 16h47

Montadoras globais esperam queda de vendas no 2o semestre

Por Helen Massy-Beresford e Jo Winterbottom

PARIS/MILÃO (Reuters) - As montadoras de veículos esperam uma queda nas vendas do segundo semestre após o fim dos programas governamentais de incentivo ao consumo e pela cautela dos consumidores diante da incerteza da economia.

Os programas de incentivo à troca de veículos estão finalizados ou se encerrando na Europa, e montadoras e analistas indicam que preocupações com a economia e medidas fiscais, como aumento de imposto na Espanha, possam prejudicar uma indústria que está caminhando para sair da crise com dificuldade.

As vendas de veículos na Itália caíram 19,12 por cento em junho, apontam números do Ministério dos Transportes. Enquanto isso, as vendas do primeiro semestre foram 2,9 por cento maiores na comparação anual, percentual que mascara a real tendência da demanda.

"As vendas nos primeiros três meses, que pegaram o final dos incentivos de 2009, continuam, de fato, a ter um considerável peso no total acumulado", disse Gianni Filipponi, diretor geral da associação de montadoras estrangeiras, UNRAE.

O grupo de pesquisa Promotor afirma que o segundo semestre terá uma performance marcadamente negativa.

"Uma recuperação moderada da economia está começando a surgir, mas parece ser incentivada primariamente pela demanda externa... enquanto a demanda por bens de consumo continua fraca no geral e particularmente fraca no setor de bens duráveis."

"A crise econômica ... está atingindo principalmente as famílias este ano", acrescenta a empresa. A venda de carros para consumidores caiu 30,45 por cento em junho, enquanto as compras de clientes corporativos subiram 15,93 por cento.

Na França, as vendas de carros em junho caíram 1,2 por cento sobre o ano anterior, informou a associação da indústria CCFA. O esquema de incentivo do governo para troca de veículos velhos por novos ainda continua, mas a partir desta quinta-feira os motoristas recebem apenas 500 euros em vez de 700 para trocarem seus veículos.

No ano, as vendas de veículos na França subiram 5,4 por cento.

"Creio que até o final do ano nós veremos quedas muito mais acentuadas... Estamos antecipando quedas de dois dígitos, mas não em todos os meses, e um último trimestre muito ruim porque estamos comparando com um final de ano muito forte no ano passado".

Preocupações sobre reformas do governo para reduzir déficits e a situação econômica na zona do euro devem exacerbar esse efeito, disse Carlos da Silva, analista do IHS Global Insight.

"Os incentivos e os descontos não podem durar para sempre... Além disso, toda a informação sobre Grécia e Portugal aqui na França não está dando sinais fortes sobre o futuro. Pode ser que agora vejamos muitas pessoas voltando a economizar o que puderem para esperar ver o que acontece no próximo ano."

Na Espanha, as vendas subiram 25,6 por cento em junho, último mês do programa de incentivo governamental às vendas de veículos. Em maio houve alta de 44,6 por cento e a associação de montadoras Anfac afirmou que o aumento não iria durar.

"No segundo semestre esperamos que a tendência piore, com quedas de mais de 30 por cento por causa da situação econômica, contração da demanda doméstica, aperto no crédito, alto desemprego, aumento de dois pontos no imposto sobre valor agregado e fim do Plano 2000E (subsídios do governo)", afirmou a Anfac.

Na Rússia, país que já foi considerado candidato a superar a Alemanha como maior mercado de veículos da Europa antes da crise atingir a demanda, incentivos e recuperação econômica impulsionaram as vendas da fabricante da marca Lada AvtoVAZ, cujas vendas em junho dispararam 77 por cento.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, dados desta quinta-feira mostraram ganhos, mas analistas alertaram que os números podem mostrar que o ritmo de expansão está desacelerando, o que está disparando temores sobre uma interrupção na recuperação da economia.

O presidente para América do Norte da General Motors, Mark Reuss, afirmou na quarta-feira a analistas que a fase atual é de "uma recuperação ainda muito delicada".

No Brasil, as vendas de veículos no mês passado caíram 12,44 por cento na comparação com o forte desempenho de um ano antes, quando ainda estava valendo a redução de impostos sobre o setor.

Já no Japão, analistas evitam arriscar como serão as vendas depois de 30 de setembro, quando expira o programa de incentivo à compra de veículos novos.

"É muito difícil ter uma leitura sobre as vendas em outubro e adiante", disse Michiro Saito, representante da associação de concessionários do Japão. "Sabemos que a demanda vai cair. A dúvida é em que intensidade e por quanto tempo."

(Reportagem adicional de Chang-Ran Kim, Nigel Davies, Suh Kyungmin, Ben Deighton, Soyoung Kim e Alberto Alerigi Jr.)

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