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05/08/2010 - 12h19

Trichet vê 3o trimestre mais forte que o esperado

Por Marc Jones

FRANKFURT (Reuters) - Os dados econômicos do terceiro trimestre na zona do euro têm sido surpreendentemente fortes até agora, mas o Banco Central Europeu (BCE) ainda espera que a recuperação do bloco seja moderada e desigual, afirmou o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet.

"Os dados econômicos e indicadores baseados em pesquisas sugerem um fortalecimento da atividade econômica no segundo trimestre de 2010 e os dados disponíveis para o terceiro trimestre são melhores que o esperado", disse Trichet nesta quinta-feira, após o BCE manter a taxa básica de juro em 1,0 por cento.

"Olhando mais à frente... continuamos esperando que a economia da área do euro cresça em ritmo moderado e desigual num ambiente de incerteza."

A economia da zona do euro cresceu apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre, em base trimestral. Os dados do segundo trimestre serão divulgados na próxima semana e devem mostrar expansão mais forte.

Com a inflação baixa e a recuperação da crise ainda em fase inicial na região, a decisão de manter o juro na mínima recorde pelo 15o mês era amplamente esperada.

"Nós não temos um aumento do juro em nosso horizonte de previsão, e nosso horizonte vai até o final de 2011", disse o economista do J.P. Morgan David Mackie.

LIQUIDEZ

Analistas esperavam que Trichet pudesse dar uma pista sobre se os bancos continuarão tendo acesso a recursos ilimitados do BCE pelo resto do ano, passado o prazo final estipulado até agora de outubro.

Mas ele disse apenas que a instituição deve tomar uma decisão no próximo mês sobre qualquer nova medida para retirar a liquidez excedente injetada no mercado aberto. Ele acrescentou ainda que fará o que for necessário.

As taxas no mercado aberto são parte essencial da atual estratégia de política monetária do BCE. Ao injetar recursos nos bancos durante a crise, os custos interbancários caíram abaixo da marca de 1,0 por cento sugerida pela taxa de referência do BCE. Agora estão subindo e analistas apontam que isso representa um aumento efetivo da taxa.

Questionado sobre a alta das taxas interbancárias de três meses, Trichet disse: "Não saúdo isso particularmente, isso é parte da normalização da situação".

Também nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra manteve o juro básico na mínima recorde de 0,5 por cento, decisão que não surpreendeu analistas.

Como de costume, a instituição não fez comentários sobre a economia no comunicado que acompanhou o anúncio e no qual confirmou que não há mudanças nas compras de 200 bilhões de libras (317 bilhões de dólares) em ativos no programa de "quantitative easing".

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